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Jeff Bezos teve celular hackeado por príncipe saudita após troca de mensagens, diz jornal

Investigação forense começou em 2019 e algumas conclusões começam a ser tiradas agora

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SÃO PAULO – Jeff Bezos, CEO e fundador da Amazon, teve seu celular hackeado depois de supostamente trocar mensagens de WhatsApp com o Mohammed bin Salman, príncipe da Arábia Saudita. Isso teria acontecido em 2018, e repercutido no ano passado com um detetive contratado pelo executivo, mas mais informações sobre o caso foram reveladas nesta terça-feira (21) pelo jornal The Guardian.

Segundo o jornal, após uma análise forense, uma mensagem despachada pelo príncipe, que estava criptografada, teria sido enviada com um arquivo malicioso e foi aberta pelo executivo depois.

A conclusão da análise informa que é alta a probabilidade de a invasão no celular ter sido desencadeada por um vídeo infectado enviado de bin Salman a Bezos em 1 de maio de 2018. Não há informações sobre o conteúdo do vídeo.

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Fontes não reveladas pelo jornal informaram que vários dados foram retirados do celular do executivo em poucas horas.

O que teria motivado a invasão seria a cobertura crítica do jornal The Washington Post sobre a Arábia Saudita, segundo a apuração do jornal. Bezos é dono do jornal americano. E, ainda, em outubro de 2018, cinco meses após a invasão pelo príncipe saudita ter supostamente ter acontecido, o jornalista Jamal Khashoggi, cidadão saudita, colunista do Post e crítico ferrenho do herdeiro, foi morto dentro de um consulado saudita em Istambul, na Turquia.

Se comprovada, a atitude de bin Salman poderia minar os esforços dele para atrair mais investidores ocidentais para a Arábia Saudita. Ele prometeu transformar economicamente o país, mas a revelação pode levantar questões sobre o assassinato do jornalista e o que o príncipe herdeiro e seu círculo íntimo estavam fazendo nos meses que antecederam a morte de Khashoggi.

A Arábia Saudita já havia negado ter invadido o telefone de Bezos e insistiu que o assassinato de Khashoggi foi resultado de uma “operação desonesta”. Em dezembro, um tribunal saudita condenou oito pessoas envolvidas no assassinato após um julgamento secreto que foi criticado por especialistas em direitos humanos.

Como a investigação começou

Também está sendo questionada uma reportagem divulgada pelo tabloide americano National Enquirer, que deu detalhes íntimos da vida provada de Bezos, incluindo mensagens de texto. A investigação forense começou após a publicação desta matéria.

A história, que apontou um relacionamento extraconjugal por parte do executivo da Amazon, desencadeou uma primeira investigação por parte da equipe de segurança do CEO para para descobrir como os textos privados foram obtidos pelo tablóide, de propriedade da American Media Inc (AMI).

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Enquanto a AMI insistia em ter sido informada sobre o caso pelo irmão afastado da namorada de Bezos, a investigação da equipe do bilionário constatou com “alta confiança” que os sauditas haviam conseguido “acessar” o telefone de Bezos e “obtinham informações privadas” sobre ele.

O chefe de segurança de Bezos, Gavin de Becker, informou que havia fornecido detalhes de sua investigação aos policiais, mas não revelou publicamente nada sobre como os sauditas acessaram o telefone.

Ele também descreveu “a estreita relação” que o príncipe herdeiro saudita havia desenvolvido com David Pecker, o executivo-chefe da empresa proprietária do Enquirer, nos meses anteriores à publicação da história de Bezos. De Becker não respondeu a ligações e mensagens do Guardian.

Ao jornal, Andrew Miller, especialista do Oriente Médio, disse que se Bezos tivesse sido alvejado pelo príncipe herdeiro, isso refletia o ambiente “baseado na personalidade” no qual o príncipe herdeiro opera. A possibilidade do CEO de uma das principais empresas americanas ter como alvo a Arábia Saudita poderia representar um dilema para a Casa Branca.

Segundo especialistas consultados pelo jornal, o caso é o suficiente para os investigadores estarem considerando uma abordagem formal à Arábia Saudita para pedir uma explicação.

O Guardian contatou a embaixada saudita, que não respondeu ao pedido até a publicação desta matéria. Ainda, o advogado de Bezos afirmou que o bilionário “está cooperando” com as investigações”.

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