Inflação pressiona construção civil e Cyrela é o destaque de queda de janeiro

Perspectiva de maiores despesas com vendas e possível queda de faturamento trazem preocupações sobre seu próximo resultado

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SÃO PAULO – As ações da Cyrela (CYRE3) terminaram o mês de janeiro como principal baixa dentre os papéis que compõem o Ibovespa, acumulando queda de 15,74% no período, cotadas a R$ 18,41. Dos vinte pregões do mês, a empresa fechou no vermelho em treze deles. As maiores desvalorizações foram registradas nos três últimos dias da última semana, quando a ação recuou mais de 3% em cada sessão.

No período, acirrararam-se as tensões sobre o cenário inflacionário, apesar da alta promovida pelo Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) na taxa Selic no mês. Nesta segunda-feira (31), as projeções para a inflação em 2011 contidas no Relatório Focus foram revisadas para cima pela oitava vez seguida. As estimativas do boletim, compilado pelo Banco Central, já estão acima do centro da meta do governo, de 4,5% ao ano, mas abaixo do limite de 6,5% estabelecido pela entidade.

Com isso, analistas esperam que a taxa de juro base, Selic, encerre o ano em 12,50%. Por sua vez, ofertas de bens e serviços tendem a ser reduzidas, assim como o crédito para financiamento de imóveis tende a tornar-se mais caro. No mês, as ações da Gafisa (GFSA3) também foram penalizadas, acumulando a terceira maior queda do período, de 15,20%, fechando janeiro cotadas a R$ 10,21. 

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Menor fatia de lançamentos na baixa renda preocupa
A empresa também divulgou sua prévia operacional para o quarto trimestre em meados de janeiro e trouxe preocupações sobre o baixo volume de lançamentos para a baixa renda. Enquanto os analistas Eduardo Silveira e René Brandt, da Fator Corretora, esperavam que o segmento representasse 40% dos lançamentos em 2010, ele respondeu por apenas 28% do total. 

“Nossa opinião é que a Cyrela encontrou dificuldades para atuar no mercado de baixa renda por não ter tanta experiência neste mercado e, que sofreu com pressão de custos e queda de margens. Portanto, em 2010 a companhia focou nos segmento de renda mais altos em que possui maior experiência”, avaliaram os analistas em relatório.

À espera de um resultado menos significativo
A Fator Corretora diz esperar que o resultado completo do quarto trimestre de 2010 seja “mais fraco”. Isto porque o grande volume de lançamentos no período deverá ocasionar crescimento das despesas com vendas e possível queda na margem Ebitda (relação entre a geração operacional de caixa e a receita líquida).

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Silveira e Brandt escreveram ainda que a rentabilidade da empresa pode ser afetada por pelo menos mais um trimestre caso os atrasos nas entregas de obras persistam. “Já são dois resultado trimestrais consecutivos com rentabilidade abaixo da média do setor”.

Além disso, este deve ser o primeiro trimestre em que a empresa deverá reportar seu resultados de acordo com os padrões internacionais IFRS (International Financial Reporting Standards), que traz novos padrões para a contabilidade e divulgação dos balanços.