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SÃO PAULO – O HSBC iniciou a cobertura das ações do setor imobiliário no Brasil, traçando suas preferências. Segundo o banco, a incerteza em relação ao desempenho futuro das empresas do setor tem pressionado a performance de suas ações na Bolsa, uma dificuldade que não deve ser resolvida totalmente nos próximos meses.
De acordo com os analistas Felipe Rodrigues e Leonardo Martins, os nomes preferidos no setor são PDG Realty (PDGR3) e Inpar (INPR3). Segundo eles, a PDG tem vivido um ótimo momento de expansão em suas margens, sobretudo porque seu controle de despesas gerais e administrativas tem sido bem sucedido, juntamente com sua política agressiva de expansão. Já a Inpar é atrativa pelo preço extremamente baixo de negociação. Além disso, a companhia está conseguindo implementar importantes melhoras operacionais em sua nova gestão.
Pressão no curto prazo
Apesar de o consenso de mercado apontar a pressão sobre as margens das imobiliárias como um “problema isolado“, a dupla do HSBC possui uma leitura distinta do problema. Para eles, há uma combinação de elementos que impactam as imobiliárias e seus efeitos ainda devem perdurar no curto prazo.
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O primeiro ponto destacado é o fato de o INCC (Índice Nacional de Custo da Construção) não conseguir captar o custo real que as empresas estão enfrentando, o que acaba pressionando seus resultados. O cenário é ainda mais conturbado, para os analistas, quando se considera o quadro macroeconômico do País: com os salários em expansão e a política mais moderada do Banco Central em relação à inflação, os custos no mercado de trabalho não devem se estabilizar tão cedo.
Soma-se a isso o fato de que os preços dos imóveis já apresentarem sinais de estabilidade, após meses de forte alta. Para Martins e Rodrigues, essa pressão nas margens das companhias do setor deve continuar.
Porém, há pontos positivos
Mesmo com essa incerteza presente no curto prazo, há alguns fatores que continuam beneficiando as ações do setor. Para os analistas do HSBC, a demanda por imóveis continua forte no Brasil, liderada pela disponibilidade de crédito. Com isso, a velocidade das vendas deve ficar entre 25% a 30% em 2011.
Além disso, as empresas que focam tanto na baixa e média como na alta renda ganham um destaque especial. Para os analistas, essa diversificação é positiva, bem como a expansão geográfica para regiões fora de São Paulo e Rio de Janeiro.
Confira as recomendações do HSBC no setor:
| Empresa | Código | Recomendação | Preço-Alvo (para 12 meses) | Upside¹ |
| PDG | PDGR3 | Overweight* | R$ 14,00 | 45,8% |
| Inpar | INPR3 | Overweight* | R$ 4,00 | 34,7% |
| Cyrela | CYRE3 | Neutral** | R$ 20,00 | 17,3% |
| Gafisa | GFSA3 | Neutral** | R$ 12,00 | 20,4% |
| MRV Engenharia | MRVE3 | Neutral** | R$ 16,00 | 13,5% |
| Rossi | RSID3 | Neutral** | R$ 17,00 | 12,8% |
* Peso acima da média do mercado. Para o HSBC, o retorno implícito deve exceder
o retorno exigido pelo menos em 5 pontos percentuais nos próximos 12 meses.
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** Peso em linha com a média do mercado. Ações com retornos implícitos entre 5 pontos percentuais acima
e 5 pontos percentuais abaixo do retorno exigido para doze meses são classificadas como neutral.
¹ Com base na cotação de fechamento anterior