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Tegma: o limão virou limonada e a ação subiu mais de 660% em 3 anos

Uma das maiores operadoras de logística da América Latina reorganizou suas operações em meio à recessão brasileira e foi escolhida a melhor empresa da Bolsa do setor de bens industriais, segundo o ranking feito pelo InfoMoney em parceria com Ibmec e Economatica

Gennaro Oddone Tegma
(Flávio Santana / Biofoto)

SÃO PAULO - O mercado de veículos foi um dos que mais sofreram com a recessão brasileira. Com a retração do consumo, as vendas, especialmente dos zero-quilômetro, caíram drasticamente.

Para não sucumbir como muitas empresas dessa cadeira, a Tegma, uma das maiores operadoras de logística da América Latina, voltada para o transporte de veículos novos, resolveu reorganizar sua operação em 2016.

“A crise que se aprofundou no mercado automotivo a partir de 2015 naturalmente nos afetou, tivemos um segundo semestre bem ruim e passamos 2016 trabalhando para reorganizar a Tegma”, diz Gennaro Oddone, presidente da companhia.

“Acabamos tendo um ótimo resultado e, ao final do processo, nos tornamos mais rentáveis”, acrescenta.

O esforço da gestão foi reconhecido pelos investidores. Os papeis da empresa valorizaram bastante nos últimos três anos, incluindo JCP e dividendos: 63,62% (2016), 165,7% (2017) e 46,25% (2018). Entre o fim de 2015 e 1º de agosto deste ano, a alta foi de impressionantes 664,30%. 

A Tegma foi escolhida a melhor empresa do setor de bens industriais no ranking Melhores Empresas da Bolsa, feito pelo InfoMoney em parceria com o Ibmec e a Economatica. O ranking analisou diferentes indicadores das companhias abertas em três anos, de 2016 a 2018 (confira as demais vencedoras e a metodologia).

Com o objetivo de reduzir custos e tornar a operação mais eficiente, a Tegma unificou diretorias e renegociou contratos de aluguel. Os custos administrativos gerenciáveis caíram 16%.

Outra meta era reduzir o endividamento, já que o crédito estava mais caro e escasso. “Tivemos de refinanciar algumas dívidas e quitar as mais caras para termos fôlego”, diz Oddone .

Os resultados vieram já em 2017. O lucro líquido saltou de R$ 13,83 milhões, em 2016, para R$ 103,7 milhões no ano seguinte. E voltou a subir em 2018, para R$ 108,15 milhões.

Importante indicador de capacidade de gerar caixa, o ebtida da Tegma encerrou o ano passado em R$ 200,4 milhões, em nível equivalente a 2013 e 2014, quando o setor automotivo ainda não havia mergulhado completamente na crise.

O desempenho foi conseguido mesmo com um volume de negócios 35% do que naquela época, o que indica uma empresa mais rentável. Em relação a 2016, quando começou a reorganização na companhia, o avanço no ebtida foi de 125,3%.

A dívida líquida caiu de R$ 98,7 milhões em 2016 para R$ 74 milhões em 2018. “E isto nos mantendo em condições de, sem a necessidade de investimento, acompanhar a retomada do setor automobilístico, iniciada no ano passado”, frisa Oddone.

“Todo o processo foi cuidadosamente realizado para que não perdêssemos esta capacidade de acompanhar a retomada, quando ela viesse.”

Melhorias na governança

Com a operação mais azeitada, a Tegma passou a incluir no processo decisório o ROIC (Retorno sobre o capital investido) a partir de 2017. “Em 2018, além do indicador consolidado, calculamos o ROIC por unidade de negócios, para avaliar o retorno de cada segmento da empresa”, diz Oddone.

“Foi uma mudança de cultura importante para o acionista que reconhece nossa transparência e objetivos de forma clara.” A Tegma passou de um ROIC de 25%, no primeiro trimestre do ano passado, para 35,9% em igual período deste ano.

Importante instrumento de controle da operação, o sistema de governança também passou por um aprimoramento. O conselho administrativo passou a ter dois integrantes independentes, entre os seis no total (no passado, havia apenas um membro independente).

Além disso, um dos conselheiros independentes é presidente do conselho. “É um sinal do nosso compromisso com as boas práticas de governança”, diz Oddone.

Ainda em 2017, foi criado um comitê de gestão, gente e governança, não estatutário, para elaborar políticas de retenção de funcionários e planos de remuneração. Neste ano, a Tegma está estruturando a área de compliance e risco – antecipando-se a uma exigência do regulador.

A empresa tem 48,5% de suas ações sendo negociadas no mercado A melhora na liquidez dos papeis, uma das preocupações do bloco de controle, tem registrado avanços nos últimos anos e mais que dobrou (2,5 vezes) entre 2017 e 2019.

A distribuição de dividendos aos acionistas acompanhou a melhora da operação, passando de R$ 8 milhões, em 2016, para R$ 48,7 milhões no ano passado. No primeiro trimestre deste ano, a Tegma anunciou um lucro líquido de R$ 26,62 milhões, valor 90,20% superior ao apurado no mesmo período do ano anterior.

Já a receita líquida aumentou 13,21%. “Nosso objetivo como gestores é assegurar que a estratégia faça sentido. Temos boa geração de caixa, alavancagem baixa e capacidade de investimento, se necessário. Estamos preparados para olhar oportunidades que surjam”, diz o CEO.

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