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E-mails internos do Facebook sugerem intenção de lucrar com dados de usuários

Relatório divulgado pelo Parlamento Britânico traz outras perspectivas sobre práticas controversas da rede social ao longo dos anos

Mark Zuckerberg
(Reuters)

SÃO PAULO - Na última quarta-feira (5), o Parlamento Britânico divulgou um relatório de 250 páginas com uma série de e-mails internos trocados entre membros da equipe do Facebook. Apesar de estarem fora de contexto, eles sugerem que a rede social considerou lucrar em cima da divulgação de dados dos usuários.

No material, o chefe executivo Mark Zuckerberg, propunha que o acesso a dados de usuários fosse restrito às empresas que criassem conteúdo compartilhado na plataforma, ou estivessem dispostas a pagar por eles. Os papéis da empresa na bolsa de Nasdaq viam queda de 1,3% nesta quinta-feira. 

Os e-mails foram obtidos pelo Departamento de Cultura, Mídia e Esportes (DCMS) do governo do Reino Unido no último mês, após terem sido divulgados pelo desenvolvedor de software americano, Six4Three, como parte de uma ação judicial. Aparentemente, as principais anunciantes da plataforma não teriam restrições de acesso aos dados de usuários. 

Em 2015, antes do escândalo da Cambridge Analytica, o acesso a informações sensíveis de usuários foi limitado. No entanto, o Facebook ofereceu informações contínuas para algumas grandes empresas, como a Netflix, Lyft e Airbnb.

O presidente do DCMS, Damian Collins, responsável por divulgar os e-mails, disse em entrevista ao The Guardian que “a ideia de vincular este acesso com valor financeiro do relacionamento dos desenvolvedores com o Facebook é um recurso recorrente nos documentos.”

Entre 2012 e 2013, os e-mais mostram discussões da equipe sobre como usar o acesso a dados de usuários (e amigos destes usuários) para extrair maiores gastos com publicidade de grandes clientes, por exemplo.

Um funcionário da empresa propôs, inclusive, bloquear “de uma só vez o acesso a todos que não gastem pelo menos US$ 250 mil por ano em anúncios.” Os documentos sugerem também que a rede social ofereceu ao Tinder que continuassem utilizando os termos de acesso mais antigos e permissivos em troca de uma licença para a marca registrada do Facebook no termo “momentos”, presente no app de paquera.

Além do escândalos com os dados de usuários, os emails trazem outras perspectivas sobre algumas das práticas controversas da rede social ao longo dos anos.

Em 2015, o Facebook começou a fazer um “upload contínuo” de registros de mensagens e ligações dos telefones Android. Estas informações revelam muito sobre os hábitos de comunicação de cada usuário. Segundo os emails, a empresa sabia que era “uma coisa muito arriscada de se fazer do ponto de vista de relações públicas”, mas o risco valia a pena.

O documento também mostra que, desde 2013, o Facebook utiliza um aplicativo VPN adquirido, cujo nome é Onavo, para coletar informações sobre atividades em iPhones. O app canaliza todo o uso da internet nestes telefones e pode avisar a rede social sobre outros possíveis aplicativos concorrentes. A partir dele, inclusive, a empresa mostrou que o WhatsApp era mais popular nos celulares do que o Facebook Messenger.

Também em 2013, com o lançamento do Vine, aplicativo de vídeo móvel do Twitter, o Facebook desligou imediatamente o acesso da rede ao seu API Find Friends. Isso teria frustrado a capacidade do Vine de crescer tanto quanto o Instagram, por exemplo. Segundo os emails, essa mudança foi aprovada pessoalmente por Zuckerberg.

Konstantinos Papamiltiadis, diretor de plataformas e programas para desenvolvedores do Facebook, disse em entrevista ao The Guardian que: “os documentos que o Six4Tree reuniu para este caso são sem base e mostram apenas uma parte da história. São apresentados de forma muito enganadora e sem contexto adicional. O Facebook nunca vendeu dados de ninguém. Nossas APIs sempre foram gratuitas e nunca exigimos que os desenvolvedores paguem para usá-las.”

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