Gradiente despenca mais de 7% após petição requerendo falência da empresa

Ações da empresa intensificaram perdas após às 16h (horário de Brasília) diante de informação que SportPro, credora da Gradiente, entrou na Justiça com pedido de falência da companhia

Paula Barra

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SÃO PAULO – As ações da IGB Eletronica (IGBR3), dona da marca Gradiente, despencaram nesta sexta-feira (12) após informação antecipada com exclusividade pelo Portal InfoMoney de que a SportPro protocolou petição para requerer falência da companhia. 

As ações, que operaram com queda de cerca de 1% durante todo o pregão, intensificaram as perdas a partir das 16 (horário de Brasília). Com isso, os papéis fecharam a sessão com baixa de 7,59%, a R$ 6,33 – no menor patamar do dia. O volume financeiro também impressionou ao atingir R$ 81,8 mil, bem acima da média dos últimos 21 pregões, de R$ 52,9 mil. 

O Portal InfoMoney teve acesso à petição, que requer que seja decretada a falência da Gradiente por não concordar com a prorrogação do prazo para pagamento de seus credores. 

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A SportPro, credora da Gradiente, expõe no documento que “se de fato a recuperanda (Gradiente) não conseguiu honrar com suas obrigações no prazo por ela mesmo estipulado e por ela mesma já prorrogado duas vezes em seus aditamentos, vindo judicialmente ‘comunicar’ aos credores nova prorrogação dos pagamentos sob a alegação de que não teria atingido níveis mínimos de caixa e indicadores de performance, é porque de fato não tem e não terá condições de honrar seus compromissos devendo ser decretada sua falência”. A empresa move dois processos contra a Gradiente pelo não pagamento de dívidas no montante de R$ 7,5 milhões.

Por meio de fato relevante, a IGB informou no dia 21 de junho deste ano, a atualização do plano de negócios da CBTD, “ajustando-o em razão da permanente evolução do setor e mutação no cenário de concorrência”. Com isso, a companhia comunicou aos seus credores, no âmbito do plano de recuperação extrajudicial, a prorrogação, por 365 dias, dos prazos fixados para o pagamento. 

A SportPro alega que a falência deve ser decretada depois de dois aditamentos e deixando a Gradiente de cumprir o prazo estabelecido na obrigação assumida pelo plano de recuperação. Procurada pelo InfoMoney desde o começo da semana, a assessoria de imprensa da IGB Eletrônica ainda não deu um posicionamento sobre o caso ao passo que aguarda retorno do departamento jurídico da empresa. Já a SportPro não foi encontrada para comentar o assunto. 

O processo movido pela empresa requer o arresto de bens, que incluem a marca IPHONE e o valor da ação contra Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus). A SportPro aponta que a Gradiente teria afirmado que teria créditos advindos de uma ação contra a Suframa, contudo, a empresa em nenhum momento afirma que pagará seus credores com tais créditos. A SportPro agora aguarda pela resposta do juiz sobre o pedido de falência. 

Depois de suspenso por seis meses, a pedido das partes, o litígio judicial entre a Apple e a Gradiente em torno da marca IPHONE voltou a andar, conforme informou a coluna Radar, da Veja, nesta sexta-feira (12). Numa decisão tomada na semana passada, a Justiça de São Paulo rejeitou a tutela antecipada pedida pela Gradiente (que, na prática, faria a Apple suspender imediatamente a venda dos iPhones no Brasil). Entretanto, viu fundamento na discussão de uma indenização a ser paga à Gradiente.

Entenda o caso
A Gradiente, que já foi a maior fabricante brasileira de eletrônicos, entrou em uma grave crise financeira em 2007, quando paralisou duas fábricas e as vendas no mercado.

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A companhia lançou um plano de recuperação judicial em 2008 e o processo de recuperação extrajudicial foi aprovado em 2010. Na ocasião, para levantar recursos, a Gradiente arrendou seus ativos – incluindo a marca e instalações industriais – à CBTD (Companhia Brasileira de Tecnologia Digital). 

Outro lado

Apesar de a Gradiente não se manifestar sobre o pedido de falência, um acionista da empresa procurou o InfoMoney para esclarecer que mais de 70% dos credores aprovaram a proposta da Gradiente de adiar o pagamento dos crédito devidos. Os aditamentos também foram aprovados pelo juiz responsável por analisar o plano de recuperação da empresa.