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O avanço dos salários de executivos de finanças abriu espaço para uma mudança estrutural na gestão financeira das pequenas e médias empresas brasileiras. Com o custo anual de um diretor financeiro tradicional superando R$ 700 mil, companhias de médio porte, já pressionadas pela taxa básica de juros a 15% e por um ambiente de crédito mais restritivo, vêm adotando soluções de inteligência artificial para suprir rotinas estratégicas sem comprometer o caixa.
Esse movimento aparece com força nos levantamentos mais recentes. Um estudo da Deloitte com 105 CFOs de grandes empresas mostra que sete em cada dez áreas financeiras planejam incorporar automação nos próximos ciclos. Quinze por cento já utilizam ferramentas de IA generativa e apenas 11% descartam adotá-las.

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O ambiente competitivo reforça essa necessidade. Entre maio e agosto de 2025, 1,67 milhão de novas pequenas e médias empresas foram abertas no país, ritmo que pressiona companhias a aumenta a demanda por ferramentas mais baratas, rápidas e acessíveis.
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No mercado, a leitura dominante é que os custos fixos se tornaram incompatíveis com o nível de capitalização dessas companhias, levando empresários a buscar estruturas mais enxutas e tecnológicas.
O alto custo do capital também pesou na guinada. Com juros elevados e dificuldade de acesso a crédito, muitos negócios passaram a operar com margens menores e menor tolerância a erros de gestão financeira. Em cenários de volatilidade, a capacidade de projetar caixa, antecipar riscos e ajustar estratégia deixou de ser diferencial e virou necessidade. É nesse vácuo que modelos de “CFO digital” ou “CFO por assinatura” começaram a ganhar relevância no mercado.
É nesse contexto que surgem iniciativas como a da Otto, que desenvolveu o MyCFO, modelo que combina tecnologia, finanças corporativas e análise comportamental. O serviço funciona com interação via WhatsApp e agentes de inteligência artificial capazes de interpretar o histórico da empresa e sugerir ações para ajustar caixa, margem e estrutura operacional em tempo real. A proposta atende ao que se tornou uma dor comum, o acesso à inteligência financeira sem custo de executivo sênior.
“O objetivo não é automatizar o trabalho, é torná-lo mais inteligente. Nosso sistema entende o negócio, identifica gargalos e sugere ações para melhorar caixa, margem e valuation“, afirma Cassiano Tonon, CEO da Otto.
Segundo a empresa, companhias que adotaram o modelo conseguiram liberar mais de R$ 2 milhões em caixa e elevar o lucro operacional após aplicar recomendações automatizadas. A solução também inclui um “CFO-sombra”, camada analítica que acompanha decisões estratégicas e complementa equipes internas, sem substituir profissionais já contratados.
A Otto prepara uma expansão acelerada após receber investimento da Equity Group, que deve financiar a ampliação do atendimento de 15 para 1.500 empresas. Para João Kepler, CEO da Equity Group, a tendência aponta para uma transformação mais profunda na cultura financeira do mercado médio.
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“O empresário precisa de agilidade, precisão e custo compatível com sua realidade. A IA permite decisões em tempo real e leva para dentro das PMEs uma inteligência que antes só grandes corporações tinham acesso”, afirma Kepler.
Na avaliação do investidor, o setor financeiro — historicamente visto como área de retaguarda — tende a assumir novo papel como núcleo de decisão e estratégia, impulsionado pela combinação de dados, comportamento e automação.