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Depois de estimular o uso massivo de ferramentas generativas por funcionários, grupos como Amazon, Walmart, Uber, Cisco e Meta passaram a adotar mecanismos para conter despesas que cresceram mais rápido do que o previsto. As informações foram publicadas pelo Financial Times.
A mudança ocorre à medida que as companhias ampliam o uso de agentes de IA, que exigem muito mais processamento computacional do que chatbots tradicionais. O resultado é que cada comando enviado aos sistemas passou a ter impacto direto no orçamento corporativo.
Segundo Costi Perricos, líder global de IA generativa da Deloitte, os custos computacionais passaram a chamar a atenção de diretores financeiros e conselhos de administração. “Consumidores e empresas foram ensinados que a IA é barata ou gratuita, e esse definitivamente não é o caso”, afirmou ao Financial Times.
A Uber está entre os exemplos mais emblemáticos dessa mudança de postura. De acordo com a reportagem, a empresa impôs um teto mensal de US$ 1.500 por funcionário para gastos com tokens em determinadas ferramentas de IA após consumir todo o orçamento previsto para 2026 já nos primeiros meses do ano.
O Walmart seguiu caminho semelhante. A companhia estabeleceu limites para o uso de seus sistemas internos de inteligência artificial depois de registrar forte crescimento na demanda por plataformas de programação assistida por IA.
A preocupação também alcança empresas que desenvolvem seus próprios modelos. A Amazon passou a orientar funcionários a evitar o uso de inteligência artificial sem uma finalidade clara depois de identificar casos em que engenheiros criavam agentes apenas para melhorar posições em rankings internos de produtividade. A Meta adotou medidas semelhantes neste ano.
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A pressão financeira aumentou após mudanças comerciais promovidas pelos principais laboratórios de IA. Durante anos, muitos clientes corporativos pagavam assinaturas fixas independentemente do volume de uso. Com a adoção crescente da cobrança por tokens, empresas passaram a visualizar com mais clareza o custo de cada fluxo automatizado.
O tema já chegou aos executivos das próprias desenvolvedoras de IA. Neste mês, o CEO da OpenAI, Sam Altman, afirmou que os gastos com inteligência artificial se transformaram em um dos principais desafios dos clientes em 2026. Segundo ele, anteriormente a discussão sobre custos raramente aparecia nas negociações.
Além da preocupação com despesas, analistas observam impactos potenciais para o próprio setor de inteligência artificial. O Goldman Sachs estimou recentemente que o uso crescente de agentes poderá elevar em 24 vezes o consumo global de tokens até 2030, aumentando a demanda por infraestrutura e agravando a escassez de chips nos próximos anos.
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O cenário também abre espaço para a concorrência internacional. Segundo dados da plataforma OpenRouter citados pelo Financial Times, modelos chineses já superaram os norte-americanos em consumo de tokens em 2026. A combinação de energia mais barata e sistemas mais eficientes permitiu que empresas chinesas praticassem preços inferiores aos cobrados pelos principais grupos dos Estados Unidos.
