Com foco em e-books, Saraiva parece ser a melhor escolha para a Amazon

Em um cabo de guerra, Saraiva parece ganhar batalha com a B2W pelo interesse da Amazon; desde início dos rumores, ações da rede de livrarias já subiram mais de 35%

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SÃO PAULO – A gigante norte-americana Amazon já começa a estremecer o mercado brasileiro antes mesmo de iniciar suas operações no País. Desde o anúncio de sua intenção de desembarcar em território verde e amarelo, as suas principais concorrentes diretas listadas na BM&FBovespa – B2W (BTOW3) e Saraiva (SLED4) – iniciaram um forte movimento de alta, na expectativa de quem seria escolhida para ser adquirida.

Os americanos iniciaram em setembro um mapeamento de possíveis alvos, entre eles estão as duas companhias, como forma de facilitar sua entrada no mercado brasileiro. Dessa época até a última terça-feira (16), as ações BTOW3 subiram 43,91% aos R$ 11,47, enquanto os papéis da SLED4 acumularam valorização de 36,25% aos R$ 28,00.

Veja mais: O que aprender com B2W? Quem comprou ação no boato já perde mais de 12%

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A história começou a mudar um pouco na última quarta-feira (17), quando aumentaram os rumores sobre a venda da Saraiva para a Amazon, conforme foi divulgado pela Bloomberg. Desde então, os papéis da B2W já caíram mais de 11,59%, corrigindo parte dos ganhos do último mês.

A empresa fundada por Jeff Bezos, contudo, não costuma desembarcar num país por meio de uma grande aquisição, mas as sondagens mais recentes reforçam essa hipótese. Nessa segunda-feira (22), uma fonte familiarizada ao assunto disse ao portal InfoMoney que a aquisição pode sair em breve, depois da Amazon ter feito uma oferta robusta para a Saraiva.

Um dos motivos para a compra pode ser para facilitar sua entrada por aqui, já que a companhia enfrenta constantes brigas com as editoras nacionais por não aceitarem os termos agressivos da empresa norte-americana, como descontos de 50% na compra de livros, mais o direito de cobrar o quanto quiser por eles. As editores temem que, com isso, a Amazon abaixe demais o preço dos livros no Brasil.

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Diante disso, os rumores sobre a compra da Saraiva ganham mais força, em função do foco da Amazon aqui no Brasil: livros eletrônicos. A empresa norte-americana espera começar a venda de e-books já em novembro desse ano, enquanto os livros físicos apenas em 2013.

Os planos da maior máquina de vendas de livros do planeta são ambiciosos. Ela quer vender 5.000 livros digitais por dia em janeiro e, em doze meses, pretende que 1 milhão de Kindles sejam vendidos no País.

O analista Gabriel Ribeiro, da Um Investimentos, acredita que essa estratégia esteja mais ajustada com a Saraiva, lembrando que a B2W sofre com margens cada vez mais pressionadas. Segue na mesma linha o analista Cauê Pinheiros, da SLW Corretora, que aponta que a companhia já indicou que planeja crescer com o mercado de livros, o que faria mais sentido optar pela compra da Saraiva.

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Uma possível aquisição deve sair do papel o quanto antes, já que a maior empresa de comércio eletrônico dos EUA já está com filial no País, com escritório instalado no complexo empresarial Rochaverá, no bairro da Vila Almeida, ao lado do shopping Morumbi, na zona sul de São Paulo, segundo reportagem da Veja.com.

Para liderar a operação nacional, a empresa terá o executivo Alexandre Szapiro, que deixou a Apple Brasil em agosto passado. Em documento enviado à Junta Comercial, a empresa informou também que o empresário Mauro Widman deixou o comando da empresa para se dedicar apenas aos negócios relacionados ao Kindle. Widman chegou à Amazon em janeiro deste ano, após comandar a criação da área de e-books da Livraria Cultura.