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SÃO PAULO – Os termos “renda variável”, “risco” e “volatilidade” costumam assustar muitos investidores que procuram por segurança na hora de aplicar dinheiro. Quem pensa assim provavelmente prefere a renda fixa e nunca pensou em investir nas ações da fabricante de cervejas Ambev. Já se passaram 14 anos desde o anúncio da fusão entre a Brahma e a Antarctica, que levou à criação da AmBev (AMBV4), sendo que em 13 deles os papéis registraram alta.
Se montarmos um gráfico dessas ações, de 1999 até 2013, o que poderá ser visto é quase uma reta com trajetória ascendente – a exceção foi 2008, quando a crise fez quase todos os papéis da bolsa desabarem. No período de 14 anos, as ações preferenciais da fabricante de cerveja se valorizaram 4.220%, levando-a ao posto de empresa mais valiosa do Brasil.
São números positivos, mas que trazem à tona uma dúvida: tudo isso fez a ação da empresa ficar cara? Possivelmente sim. “A Ambev sempre teve múltiplos mais altos em relação ao resto do mercado e isso continua valendo, mas agora o retorno em dividendos já não é tão atrativo e está na casa de 5%”, afirma Mitsuko Kaduoka, diretora de análise de investimentos da Indusval & Partners Corretora. Isso assusta investidores mais defensivos e que procuram maximizar os ganhos por meio de dividendos.
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Um dos fatores que gera a percepção de que a Ambev está cara é o fato de que a empresa já é a mais valiosa do Brasil, com uma diferença de R$ 60 bilhões sobre a segunda colocada, a Petrobras (PETR3, PETR4). Enquanto a petrolífera estatal lucra entre R$ 20 bilhões e 30 bilhões por ano, a companhia de bebidas tem ganhos anuais na casa dos R$ 10 bilhões. Além disso, há uma forte divergência entre o patrimônio líquido das companhias: R$ 325 bilhões para a petrolífera e R$ 28 bilhões para a cervejaria. “Na atual conjuntura, isso faz bastante sentido. A Petrobras está com problemas sérios em relação ao preço dos seus produtos, com o governo intervindo bastante, além dos resultados frustrantes”, diz Mitsuko.
A natureza das duas empresas favorece a companhia de bebidas, conhecida por sua previsibilidade de resultados. “Em relação ao lucro e ao patrimônio, a Ambev está muito mais cara que a Petrobras. Mas isso é comum, o risco dela é muito menor. Só que o momento é complicado, não dá para falar qual é o melhor investimento agora”, avalia Evrard. |
Segurança na renda variável
Para aqueles que procuram segurança, a Ambev continua a ser uma das principais apostas – já que a demanda por seus produtos não costuma oscilar de maneira significativa, garantindo previsibilidade de resultados. Empresas com características semelhantes também são negociadas com múltiplos elevados. “A Ambev e a Souza Cruz sempre tiveram esse perfil mais defensivo, com rentabilidades seguras e invejáveis”, avalia o analista Henri Evrard, da Infinity Asset.
O analista chama a atenção para a impressionante alta de 4.220% nos últimos anos, mas ressalta que é difícil destacar o que deve acontecer de agora em diante, sobretudo pelo fato de a ação já estar cara. “Se a empresa tiver um lucro estável em 2013 ou 2014, ela deve dar um retorno menor do que a renda fixa. Ou seja, o mercado está embutindo um crescimento grande e isso já não está condizente com as projeções”, diz.
Mitsuko lembra, no entanto, que a empresa segue uma trajetória muito boa, e pode continuar a crescer por inércia. “Ainda é muito prematuro para falar em alta no ano de 2013, mas acredito que, se nada acontecer, a empresa deve continuar a superar o Ibovespa. O retorno é muito bom e deve continuar sendo”, destaca.
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A alta de 4.220% das ações da Ambev impressiona, mas parece pequena perto do ganho de 22.000% que obtido pelos papéis da Lojas Americanas (LAME4) – empresa do mesmo grupo controlador da cervejaria e que tem entre seus sócios Jorge Paulo Lemann, o homem mais rico do Brasil. A comparação entre as empresas do mesmo dono serve para exemplificar um ponto fundamental de se investir em Ambev: ela é pouco volátil e durante sua trajetória o investidor correu menor risco de entrar e sair na hora errada, já que quase não houveram grandes oscilações negativas. Mas as duas empresas de Lemann possuem ações com características bastante distintas, uma vez que a Lojas Americanas é muito mais volátil. A escolha dos papéis depende da personalidade do investidor e de quanto ele conhece do mercado.
“A Lojas Americanas foi uma das ações que mais subiu, mas a volatilidade foi gigantesca. Em 2008 ela caiu de R$ 15 para R$ 3. Foi um sobe e desce para estourar o coração de qualquer cardíaco”, afirma Henri Evrard, analista da Infinity Asset. Embora a valorização de 4.220% da Ambev pareça pequena diante dos 22.000% da Lojas Americanas, o analista diz que esse aumento não deve ser desprezado. “Foi um excelente resultado o da Ambev. O risco embutido foi muito menor, foi um investimento muito mais tranquilo para o investidor”, finaliza. |
Essa matéria foi publicada na edição 43 da revista InfoMoney, referente ao bimestre março/abril de 2013. Para tornar-se um assinante da revista, clique aqui.