Ágora ainda vê ação da Gafisa com cautela e reduz preço-alvo em 11%

Para corretora, cenário brasileiro permanece demandandao cautela e deve impactar negativamente o setor de construção civil; projetos antigos seguem afetando companhia

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SÃO PAULO – A Ágora Corretora revisou suas estimativas e cortou seu preço-alvo para a Gafisa (GFSA3) de R$ 4,50 para R$ 4,00 – queda de 11,11% -, o que indica um potencial de valorização de 41,8% em relação à cotação de fechamento da última quinta-feira (1). A corretora acredita que além de fatores particulares da companhia, o cenário brasileiro permanece demandando cautela e deve impactar negativamente o setor de construção civil, com cancelamento de vendas.

Além disso, a Ágora disse, em relatório, que considera a venda da Aphaville prejudicial à Gafisa, uma vez que “os efeitos positivos advindos da venda sobre o resultado não deverão compensar os resultados operacionais mais fracos a serem registrados no longo prazo”, segundo a corretora. A Gafisa vendeu 70% da Alphaville em junho por US$ 1,4 bilhão para a Blackstone e Pátria Investimentos. 

Conforme destaca o analista José Cataldo, os desafios operacionais aumentaram para a empresa, principalmente para a Tenda, uma vez que as subsidiárias remanescentes, menos rentáveis, terão uma maior participação relativa nos dados consolidados. 

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Por outro lado, a corretora cita uma redução expressiva no nível de endividamento da companhia, o que contribui para diminuir os riscos atrelados à ação. A corretora continua recomendando a manutenção dos ativos da companhia, uma vez que o resultado trimestral da companhia deve reportar expansão nas receitas, além de que no segundo trimestre, a empresa ainda possuía 80% da Alphaville, colaborando com os dados consolidados da Gafisa.

Processo de recuperação será lento
Assim, ressalta o analista, um dos principais problemas enfrentados pela Gafisa, atualmente, consiste na determinação de qual será o tamanho de suas operações, principalmente da Tenda. “Após tal decisão, a empresa poderá controlar melhor as suas despesas”, afirma. 

A empresa deve apresentar empreendimentos mais rentáveis a partir de agora, mas o problema continua sendo os projetos antigos, que tendem a continuar pressionando negativamente os resultados.

Desta forma, Cataldo aponta para uma recuperação lenta, levando alguns anos para atingir patamares mais altos. Por outro lado, as incertezas inerentes ao processo de reestruturação aumentam o risco dos ativos.