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SÃO PAULO – O Santander (SANB11) ficou à margem do radar dos investidores desde o final de abril, quando o banco espanhol anunciou a OPA (Oferta Pública de Aquisição) da sua unidade brasileira. A movimentação só voltou a ficar mais intensa há uma semana, com a proximidade da oferta, o que inevitavelmente traria o papel de volta ao antigo patamar (conforme analistas vinham comentando), aliado a uma onda vendedora por parte de fundos atrelados ao Ibovespa. Na última terça-feira, no entanto, o banco divulgou seu resultado, juntamente com um programa de recompra, e as units, que haviam caído 20% do dia 24 de outubro até a última segunda-feira, dispararam mais de 14%. A arrancada trouxe à tona novamente uma questão: ainda vale a pena investir nas units do banco?
Para analistas de mercado, a resposta é não. Por dois motivos simples: o primeiro, as units do banco vão perder a liquidez com a oferta; e o segundo, atrelado ao primeiro, é que elas devem deixar de fazer parte do principal índice de ações da Bolsa (o Ibovespa), o que deve levar com que muitos fundos atrelados ao índice se desfaçam do papel. Com muitas ações à venda e pouca procura, o natural é que o preço caia. No dia da OPA, 31 de outubro, as units chegaram a cair 12%, mas encerraram em baixa de 6,45%.
Passado dias ruins na Bolsa, as units do banco dispararam ontem, mas, segundo o analista Thiago Souza, da XP Investimentos, o movimento não é reacender um otimismo. A alta da última sessão foi “exagerada”, disse, tendo em vista que bancos com patrimônio maior não subiram tanto, em referência ao Itaú Unibanco, que reportou resultado do terceiro trimestre no mesmo dia, mas subiu apenas 1,91% enquanto o teve o balanço elogiado por diversas casas de análise. “A alta de ontem foi um misto de correção e uma reação do mercado ao anúncio de recompra, mas as units não devem subir muito além disso”, comentou.
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Juntamente com o resultado do terceiro trimestre, o Santander anunciou um programa de recompra que abrangerá a aquisição de até 44.253.662 units, representando aproximadamente 1,16% do seu capital social. O prazo do programa é de até 365 dias contados a partir de ontem.
O que fazer para quem é acionista ou quer apostar no setor de bancos?
Segundo a XP Investimentos e a casa de research Empiricus, o mais recomendado agora seria trocar as ações do Santander por Itaú Unibanco (que vem sendo apontado por muitas casas de análise como o melhor banco neste momento na Bolsa).
A preferência pelo Itaú não deixou dúvida após o resultado do terceiro trimestre. O balanço foi uma unanimidade entre os analistas: mais uma vez foi o melhor do setor, para XP, Concórdia, Planner Corretora e Bradesco BBI. Além dele, Bradesco (BBDC3; BBDC4) e Santander haviam reportado seus resultados entre os bancos grandes. Entre os fatores que levaram os analistas a terem essa visão: melhora na inadimplência, expansão na margem financeira e aumento na receita de prestação de serviços.
No terceiro trimestre, o lucro líquido do Itaú ficou em R$ 5,403 bilhões, crescimento de 35,3% contra o mesmo trimestre de 2013, e atingiu um ROE (Retorno Recorrente Anualizado) de 24,7%, crescimento de 3,8 pontos percentuais na comparação anual. Como base de comparação, o ROE do Santander e Bradesco foi de 11,6% e 20% no período, respectivamente.
O que foi a OPA do Santander?
Em 29 de abril, o Santander aprovou o lançamento da oferta pública sobre a totalidade das ações do Santander Brasil. O banco ofereceu uma valorização de 20% sobre a última cotação das units de SANB11 (ou seja, do fechamento do dia 28 de abril).
A oferta foi concluída na última sexta-feira (31), com o Santander Espanha conseguindo comprar pouco mais da metade dos papéis que pretendia. A participação da instituição no capital da subsidiária brasileira passou de 75,4% para 88,3%.
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Para liquidar a oferta e a permuta nos Estados Unidos, o Santander Espanha fará um aumento de capital, com emissão de 370.937.066 ações que representam hoje cerca de 3,09% do capital social do Santander Espanha. Com a operação, o Santander Brasil deixou de ser listado no nível 2 da BM&FBovespa, passando a ser negociado no segmento tradicional da Bolsa, como estava previsto.