Ultradireita de Le Pen avança no 1º turno municipal e testa força para 2027

Resultados do Reunião Nacional em cidades francesas reforçam estratégia de expansão antes da próxima eleição presidencial

Marina Verenicz

Marine Le Pen fala com a mídia após conversar com o presidente francês Emmanuel Macron, no Palácio do Eliseu em Paris, em 25 de agosto (Benjamin Girette/Bloomberg)
Marine Le Pen fala com a mídia após conversar com o presidente francês Emmanuel Macron, no Palácio do Eliseu em Paris, em 25 de agosto (Benjamin Girette/Bloomberg)

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O primeiro turno das eleições municipais na França indicou avanço do partido de ultradireita liderado por Marine Le Pen, o Reunião Nacional (RN), ampliando a presença da sigla em diversas cidades do país.

O resultado, divulgado após a votação realizada no domingo (15), é visto como um termômetro político antes da eleição presidencial prevista para o próximo ano, quando termina o mandato de Emmanuel Macron.

Embora as eleições municipais francesas costumem ser fortemente influenciadas por temas locais e pela popularidade dos candidatos nas cidades, o pleito deste ano ganhou dimensão nacional. O desempenho das legendas tem sido interpretado como um teste da capacidade dos partidos de ampliar bases eleitorais e formar alianças antes da disputa presidencial.

Para Le Pen e seu aliado político Jordan Bardella, presidente do RN, os resultados iniciais indicam progresso na estratégia de expansão territorial da legenda. Tradicionalmente forte nas regiões industriais do norte da França, o partido tenta consolidar presença também no sul do país.

Avanço em cidades estratégicas

No primeiro turno, candidatos do Reunião Nacional ficaram entre os mais votados em cidades importantes como Marselha e Nice, posicionando o partido de forma competitiva para o segundo turno, marcado para 22 de março.

O desempenho também foi relevante em municípios onde a ultradireita já possui presença consolidada, como Perpignan e Toulon.

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Apesar do avanço, a vitória final ainda depende das negociações políticas típicas da segunda rodada eleitoral francesa, quando partidos frequentemente formam alianças para bloquear adversários.

Disputa aberta em Paris

Na capital francesa, o Partido Socialista aparece bem posicionado para manter o controle da prefeitura após mais de duas décadas no poder. O candidato socialista Emmanuel Grégoire terminou o primeiro turno à frente da conservadora Rachida Dati.

No entanto, a disputa em Paris permanece aberta. Outros três candidatos avançaram para o segundo turno: o centrista Jean-Yves Bournazel, a candidata da extrema-esquerda Sophia Chikirou e Sarah Knafo, representante da ultradireita.

A presença de vários concorrentes no segundo turno tende a intensificar as negociações políticas nos próximos dias, já que alianças ou desistências podem alterar significativamente o resultado final.

Outros movimentos políticos

O ex-primeiro-ministro Édouard Philippe, de centro-direita, também teve um resultado relevante ao liderar o primeiro turno na cidade portuária de Le Havre, com cerca de dez pontos de vantagem sobre os adversários.

Já o partido de esquerda radical A França Insubmissa (LFI), liderado por Jean-Luc Mélenchon, participou das eleições municipais com centenas de candidatos pela primeira vez.

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A legenda registrou desempenho expressivo em cidades como Lille e Saint-Denis, na região metropolitana de Paris. Em Roubaix, no nordeste do país, um candidato do LFI aparece competitivo para vencer o segundo turno, o que poderia garantir ao partido sua primeira prefeitura em uma cidade com mais de 100 mil habitantes.

Negociações antes do segundo turno

Com o segundo turno marcado para o próximo domingo, partidos e candidatos devem intensificar negociações para fusão de listas eleitorais e acordos políticos.

Essas alianças são comuns no sistema eleitoral municipal francês e podem definir o resultado final em diversas cidades, tanto para consolidar vitórias quanto para impedir o avanço de adversários.

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