Trump afirma que foi alcançado acordo para desarmamento do Hamas

Um representante do Hamas descreveu o acordo como um esboço

Reuters

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fala com a imprensa ao chegar ao aeroporto de Paris-Orly, após a cúpula do G7, em Orly, na França, em 17 de junho de 2026. REUTERS/Evelyn Hockstein
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fala com a imprensa ao chegar ao aeroporto de Paris-Orly, após a cúpula do G7, em Orly, na França, em 17 de junho de 2026. REUTERS/Evelyn Hockstein

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CAIRO/WASHINGTON, 30 Jul (Reuters) – O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que as negociações ⁠realizadas no Cairo, na quinta-feira, entre mediadores e líderes do Hamas resultaram em um acordo de ⁠desarmamento em fases em Gaza; no entanto, um representante do Hamas descreveu o acordo como um esboço, e autoridades americanas afirmaram que ‌Israel se mostrava cético quanto à possibilidade de o grupo militante palestino entregar suas armas.

“Hoje, o Conselho da Paz chegou a um acordo HISTÓRICO para o DESARMAMENTO COMPLETO do Hamas e de todos os outros grupos armados em Gaza”, disse Trump em uma postagem nas redes sociais, acrescentando ‌que o desarmamento ocorreria em fases. “Este é um passo monumental rumo à PAZ e à SEGURANÇA duradouras.”

O acordo foi um passo fundamental para que Gaza seja governada por um novo governo palestino que trabalhará em estreita colaboração com o chamado Conselho da Paz, disse Trump. “Ao mesmo tempo, Israel terá a segurança que merece, com Gaza deixando de ser usada como base para ataques terroristas”, acrescentou.

A embaixada de Israel em Washington não respondeu imediatamente a um pedido de comentário sobre o anúncio de Trump.

Uma fonte do Hamas disse à Reuters que o “projeto de acordo” estipula que as armas pesadas seriam apenas armazenadas e mantidas ⁠sob ‌o controle de uma administração palestina, e que as armas não podem ser transferidas para Israel.

“Não tomaremos nenhuma medida relativa ao desarmamento antes da retirada ⁠de Israel da Faixa de Gaza”, disse Ghazi Hamad, membro da equipe de negociação do Hamas, à Al Jazeera.

Uma autoridade norte-americana disse na quinta-feira a repórteres que Israel está “muito cético quanto ao desarmamento do Hamas”.

“Estamos muito confiantes de que eles cumprirão o acordo”, acrescentou a autoridade norte-americana. “Se não o fizerem, obviamente o presidente Trump ficaria muito, muito decepcionado.”

Também surgiram dúvidas sobre quanto tempo o processo levaria. Um representante do Conselho da Paz estimou um prazo de 200 a 320 dias, mas uma autoridade norte-americana minimizou esse prazo.

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Um representante israelense, que preferiu não ​se identificar, disse que, antes do anúncio de Trump, Israel havia rejeitado uma proposta.

“Israel exige o desarmamento completo do Hamas, incluindo a retirada de armas de Gaza e a desmilitarização total da Faixa como pré-condição para qualquer processo”, disse a autoridade na quinta-feira.

“O documento de 15 pontos ​em questão não oferece uma resposta satisfatória a essas exigências, e Israel comunicou suas objeções.”

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Mais cedo, ataques israelenses mataram pelo menos seis palestinos em Gaza, incluindo duas crianças, segundo equipes médicas.

ROTEIRO PARA O DESARMAMENTO DO HAMAS?

Líderes do Hamas mantiveram conversações com mediadores do Egito, do Catar e da Turquia sobre a segunda fase do plano de Trump para Gaza, conforme apresentado a eles por seu Conselho de Paz.

Trump criou o conselho para supervisionar um plano destinado a pôr fim à guerra de Israel em Gaza e reconstruir o território devastado. Ele nomeou os membros do conselho, assumindo ele ‌próprio a presidência, e afirmou no ano passado que o conselho supervisionará a governança temporária de Gaza.

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“À ​nossa frente está uma Gaza reconstruída, governada por palestinos e em paz com Israel, além de um horizonte político para uma resolução significativa do conflito israelo-palestino”, disse Nickolay Mladenov, enviado do Conselho de Paz de Trump para Gaza, em comunicado após a postagem do presidente.

Autoridades envolvidas nas negociações compartilharam poucos detalhes sobre os planos para reconstruir Gaza.

O plano também ⁠prevê um aumento na ajuda humanitária, a governança por meio de ​uma administração civil palestina, a retirada ​das forças israelenses de Gaza e o envio de uma força internacional para ajudar a manter a segurança.

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ENTREGA DE ARMAS PODE SER PONTO DE ATRITO

A realidade no terreno em Gaza, até ⁠o momento, continua distante das metas do acordo.

O Hamas quer que Israel se comprometa ​a encerrar os ataques a Gaza e retire suas forças.

Ainda não está claro o que acontecerá em relação às armas leves ou pessoais, nem se a nova postura do Hamas será aceita por Israel ou pelo Conselho de Paz.

O plano inclui a eliminação de túneis, estoques de armas e instalações de produção de armamento, disse um ​diplomata envolvido nas negociações, acrescentando que, ao final do processo, não restaria nenhuma infraestrutura militante em Gaza.

“Este não é realmente um acordo baseado na confiança”, disse uma autoridade norte-americana na quinta-feira, classificando o acordo como um “acordo baseado em condições”.

As forças armadas ​israelenses continuaram a expandir sua ocupação militar de ⁠Gaza, com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmando que Israel pretende ampliar a área sob seu controle para 70% do enclave.

Ainda não está claro quantas forças estariam disponíveis para serem mobilizadas com a planejada ⁠Força Internacional de Estabilização, nem se as tropas israelenses se retirariam do enclave.

ATAQUES CONTINUAM

Autoridades de saúde informaram que ataques israelenses separados mataram pelo menos duas crianças, uma mulher e três homens em Gaza na quinta-feira. As forças armadas israelenses afirmaram ter atacado militantes do Hamas no enclave.

O cessar-fogo em Gaza tem sido violado repetidamente; mais de 1.200 palestinos, em sua maioria civis, foram mortos por ataques israelenses e quatro soldados israelenses foram mortos por militantes desde o início da trégua, em outubro, segundo autoridades de saúde de Gaza e autoridades israelenses, respectivamente.

O Hamas geralmente não divulga suas baixas.