Taiwan “limita” internet móvel pela primeira vez durante os exercícios militares

Taiwan, governada democraticamente e reivindicada pela China como seu território, convive há muito tempo com a ameaça de uma invasão chinesa

Bandeira de Taiwan em rua de Kinmen
19/10/2025
REUTERS/Ann Wang
Bandeira de Taiwan em rua de Kinmen 19/10/2025 REUTERS/Ann Wang

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TAICHUNG/PENGHU, Taiwan, 10 Ago (Reuters) – Taiwan reduziu nesta ⁠segunda-feira a velocidade da internet móvel em uma ampla ‌faixa da região central da ilha pela primeira vez durante os exercícios militares anuais, simulando uma interrupção nas comunicações ‌no caso de um ataque chinês ou de um desastre natural.

Taiwan, governada democraticamente e reivindicada pela China como seu território, convive há muito tempo com a ameaça de uma invasão chinesa e realiza, anualmente, exercícios de ataque aéreo juntamente com ⁠seus ‌exercícios militares, retirando as pessoas das ruas por 30 ⁠minutos.

Durante o exercício de “restrição” da internet, realizado nesta segunda-feira com foco na grande metrópole central de Taichung, apenas os serviços básicos de telefonia móvel funcionaram, embora outras funções, incluindo caixas eletrônicos, semáforos, telefones fixos e serviços fixos ​de internet, não tenham sido afetadas.

Sirenes de ataque aéreo soaram em Taichung e as pessoas saíram das ruas a ​partir das 14h30 (3h30 no horário de Brasília), enquanto o governo enviava mensagens de texto simultâneas em chinês e inglês informando aos usuários de celulares sobre “ataques aéreos simulados à infraestrutura de comunicação”.

O governo havia divulgado amplamente o exercício ‌com antecedência, inclusive publicando detalhes nas redes ​sociais, e a maioria das pessoas com quem a Reuters conversou na estação ferroviária de Taichung estava preparada.

“Assim como na guerra entre a Rússia ⁠e a Ucrânia, eles ​ficaram sem ​internet. Talvez também porque Taiwan esteja um pouco mais em risco, então esse tipo ⁠de exercício pode ajudar todos ​a entender a situação atual naquele momento — o que pode acontecer e como reagir”, disse Lin Hong-chun, 46 anos.

Ainda assim, houve ​algumas reclamações, mesmo que as pessoas, em geral, tenham se mostrado favoráveis.

“Se possível, eu ainda preferiria ficar ​em casa e passar ⁠por isso lá. Passar por isso lá fora é realmente muito doloroso”, disse ⁠Yen Po-ting, 23, de dentro da estação, onde os portões estavam fechados para impedir que os passageiros saíssem.

O mesmo exercício será repetido na quinta-feira no norte de Taiwan, incluindo a capital, Taipé.

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