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Rios ao redor do mundo tiveram em 2025 um dos anos mais secos em mais de três décadas, segundo um novo relatório sobre o estado dos recursos hídricos globais da Organização Meteorológica Mundial (OMM). O estudo mostra a continuidade do declínio de longo prazo no armazenamento de água doce da Terra e do recuo das geleiras. Organismo faz o alerta que o fenômeno El Niño em fortalecimento aumenta o risco de seca em algumas áreas e de mais inundações em outras.
“O relatório mostra que o ciclo da água se tornou mais errático e imprevisível, oscilando entre muito pouco ou demais. Nos últimos sete anos, houve o menor número de rios com fluxos ‘normais’ desde 1991, diz a OMM.
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Ásia e África juntas foram responsáveis por pelo menos metade de todos os eventos extremos relacionados à água registrados e por mais de 80% das mortes associadas relatadas nos últimos cinco anos, segundo o informe.
A parcela da área global de bacias que experimenta condições normais de descarga de água permaneceu abaixo da média histórica em cada um dos últimos sete anos (34%–38%, ante uma média de 46% de 1991–2020).
E o armazenamento de água terrestre (TWS) mostra um declínio persistente desde 2014–2016, com uma área crescente sob condições abaixo do normal.
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Ao longo dos cinco anos de relatório, descargas abaixo do normal recorrentes foram observadas em grandes partes das bacias do Amazonas e do Prata, América do Norte, África Central e Oriental, Ásia Central e Oriente Médio.
“Entre 2021 e 2025, o armazenamento abaixo do normal afetou repetidamente o sudoeste dos Estados Unidos, a Patagônia e os Andes subtropicais, as cabeceiras do Ganges–Indo, norte da África, Oriente Médio, Ásia Central e leste da China, enquanto anomalias positivas persistentes ocorreram em partes da África subsaariana, do Sahel e do Planalto Tibetano”, diz o estudo.
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Geleiras e águas subterrâneas
Entre 2023 e 2025, as geleiras perderam massa em cada ano de relatório, com uma perda cumulativa global de massa glacial de 1.400 Gt de água. “O ano de 2025 marcou o quarto ano consecutivo em que todas as principais regiões glaciais experimentaram perda de massa glacial. Algumas regiões com pequenas geleiras (os Alpes Europeus, Escandinávia, o Cáucaso e outras) podem já ter ultrapassado o ‘pico da água’”, afirma o relatório.
Além disso, déficits persistentes de águas subterrâneas foram observados durante 2022–2025 em partes das Américas, Europa, Oriente Médio, Índia, sul da África e Austrália.
“Algumas partes desse ciclo são rápidas – como precipitação, fluxo do rio, umidade do solo – elas respondem ao clima em dias ou semanas. Outros, como água subterrânea, geleiras e neve sazonal, são lentos, acumulam-se ou se esgotam ao longo das estações, décadas ou mais. Tradicionalmente, essas reservas lentas atuaram como a conta poupança do planeta: um amortecedor que absorve anos ruins para que uma única seca ou uma única estação seca não se traduzam diretamente em uma crise hídrica”, disse a secretária-geral da OMM, Celeste Saulo.
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Para ela, o mundo está esgotando essa conta poupança. “O armazenamento terrestre global de água tem apresentado uma tendência de queda desde 2014–2016 – um sinal persistente que dura uma década. Pelo quarto ano consecutivo, todas as principais regiões glaciadas da Terra perderam massa de gelo. A água subterrânea conta uma história semelhante: quase dois terços dos poços monitorados no mundo apresentaram condições fora da média histórica em 2025, e o saldo se deslocou ainda mais para o déficit em comparação com 2024, e não para a recuperação”, disse Celeste Saulo.
“Ao mesmo tempo, estamos vendo mais desastres relacionados à água. O fortalecimento do El Niño aumentará o risco de seca em algumas áreas e de inundações em outras”, disse ela.