Quem é Luís Montenegro, que caiu e levantou para voltar ao poder em Portugal

Montenegro chegou ao cargo de primeiro-ministro em 2024, após a vitória da AD nas eleições daquele ano, sucedendo o socialista António Costa. Ele volta ao cargo após cair em apenas um ano

Paulo Barros

O líder do Partido Social Democrata, Luis Montenegro, fala com a imprensa antes de debater com o líder do Partido Socialista, Pedro Nuno Santos, antes das eleições antecipadas em Portugal, em Oeiras, Portugal, 30 de abril de 2025. REUTERS/Pedro Nunes
O líder do Partido Social Democrata, Luis Montenegro, fala com a imprensa antes de debater com o líder do Partido Socialista, Pedro Nuno Santos, antes das eleições antecipadas em Portugal, em Oeiras, Portugal, 30 de abril de 2025. REUTERS/Pedro Nunes

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LISBOA – Luís Montenegro, nascido em 1973 na cidade do Porto, voltará ao cargo de primeiro-ministro de Portugal após vencer as eleições legislativas de deste domingo (18). Líder da coligação de centro-direita Aliança Democrática (AD), Montenegro retoma o poder pouco mais de dois meses após ter seu governo derrubado por uma moção de confiança rejeitada pelo Parlamento, o que levou à convocação de novas eleições.

Formado em Direito pela Universidade Católica Portuguesa de Lisboa, com especialização em proteção de dados pessoais, Montenegro é advogado e empresário, além de ter uma longa trajetória como parlamentar. Aos 29 anos, foi eleito deputado pelo Partido Social Democrata (PSD) e tornou-se, entre 2011 e 2015, líder da bancada do partido no Parlamento, durante o governo de Pedro Passos Coelho. Naquele período, foi um dos principais defensores do rigoroso programa de austeridade fiscal imposto pela “troika” — União Europeia, Banco Central Europeu e FMI — em troca de ajuda financeira para conter a crise da dívida.

Montenegro chegou ao cargo de primeiro-ministro em 2024, após a vitória da AD nas eleições daquele ano, sucedendo o socialista António Costa. No entanto, seu primeiro mandato durou apenas um ano. Em fevereiro de 2025, veio à tona a ligação de Montenegro com a empresa Spinumviva, fundada por ele e por sua família antes de assumir a liderança do PSD.

A empresa, especializada em consultoria e negócios imobiliários, permaneceu ativa com sede na residência do primeiro-ministro e utilizando seu número de telefone pessoal como contato. Reportagens revelaram que a Spinumviva recebia pagamentos mensais de 4.500 euros do grupo Solverde, que opera cassinos cujas concessões dependem do governo. A controvérsia foi intensificada pela suspeita de que a empresa teria se beneficiado de alterações legislativas promovidas pelo próprio Executivo.

Montenegro negou qualquer conflito de interesses e classificou as acusações como “abusivas e insultantes”. Mesmo assim, a pressão política aumentou, a oposição exigiu a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito e, diante da resistência do governo, a crise culminou em uma moção de confiança rejeitada em 11 de março. Com isso, o Parlamento foi dissolvido e novas eleições foram convocadas.

Apesar do curto mandato anterior e da crise que provocou sua queda, Montenegro se reelege reafirmando sua liderança sobre a direita portuguesa. Fora da política, é torcedor declarado do Futebol Clube do Porto, clube da sua cidade natal. Na juventude, trabalhou como salva-vidas e iniciou sua militância nas juventudes do PSD — onde deu os primeiros passos de uma carreira política que agora ganha novo fôlego.

Paulo Barros

Jornalista há quase 20 anos, editor de Investimentos no InfoMoney. Escreve principalmente sobre renda fixa e variável, alocação e o universo dos criptoativos