Parados na fronteira de Rafah, caminhoneiros temem que alimentos não cheguem à Gaza

Forças israelenses assumiram o controle da passagem na fronteira da Faixa de Gaza com o Egito, em Rafah

Reuters

Imagem de drone de fila de caminhões esperando em estrada egípcia ao longo da fronteira com Israel, perto da passagem de fronteira de Rafah com a Faixa de Gaza 02/05/2024 REUTERS/Oren Alon

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Motoristas de caminhão travados na fronteira do Egito com Gaza alertam que os alimentos que carregam para o enclave palestino podem estragar enquanto esperam, exacerbando a fome já crítica entre os palestinos enquanto a guerra continua.

Forças israelenses assumiram o controle da passagem de fronteira de Rafah nesta semana e preparam-se para um ataque amplamente esperado à cidade próxima da fronteira, onde cerca de 1 milhão de pessoas desalojadas pelo conflito têm se abrigado.

“O fechamento da passagem de fronteira não é bom para todos esses caminhões porque são frigoríficos, o que significa que a falha da máquina não dá aviso. Se a (geladeira) parar de funcionar, todos os alimentos que estiverem dentro dela serão destruídos”, disse o caminhoneiro Ahmed al-Bayoumi.

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“Aqui, não há nenhum (técnico) disponível para consertar as coisas e, então, teremos que manusear os pacotes novamente. Em qualquer país do mundo, os alimentos em geladeiras têm prioridade para serem entregues.”

Trabalhadores humanitários soaram o alarme nesta semana sobre o fechamento da passagem de Rafah com o Egito e da passagem de Kerem Shalom, entre Israel e Gaza, para ajuda e pessoas.

A diminuição dos estoques de alimentos e combustível pode forçar a paralisação das operações de ajuda humanitária dentro de alguns dias em Gaza, uma vez que as passagens vitais permanecem bloqueadas, forçando o fechamento de hospitais e abrindo caminho para mais desnutrição, disseram agências de ajuda das Nações Unidas nesta sexta-feira.  

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O Exército israelense afirma que o que chama de operação limitada em Rafah tem o objetivo de matar combatentes e desmantelar a infraestrutura do Hamas, grupo militante islâmico que governa Gaza.

A afirmação oferece pouco conforto aos motoristas de caminhão ociosos.

“Todos os dias, os caminhões entravam e saíam da passagem de fronteira e as coisas estavam fluindo”, disse o motorista de caminhão Abdallah Nassar.

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“Mas agora que a passagem de fronteira está fechada, não sabemos qual é a nossa situação. E, é claro, temos comida, e essas coisas têm data de validade, e podem estragar.”

A maior parte da ajuda para Gaza tem sido entregue através das passagens de Rafah e Kerem Shalom, onde os caminhões de ajuda entraram pela última vez em 5 de maio.

Antes disso, várias dezenas de caminhões passavam por Rafah, incluindo os únicos suprimentos de combustível que iam para o enclave.

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Em abril, 1.276 caminhões entraram por Rafah e 4.395 caminhões entraram por Kerem Shalom, de acordo com a UNRWA, agência de refugiados palestinos da ONU.

SEM ALÍVIO À VISTA

Caminhoneiros enfrentam incertezas enquanto Israel se propõe a atingir seu objetivo de destruir o Hamas.

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As negociações de cessar-fogo foram suspensas na quinta-feira sem que houvesse um acordo para interromper os combates e libertar os reféns. Eles foram capturados nos ataques a Israel liderados pelo Hamas em 7 de outubro, que mataram 1.200 pessoas, de acordo com os registros israelenses, e precipitaram o conflito.

Mais de 34.000 habitantes de Gaza foram mortos em sete meses de guerra, segundo autoridades de saúde do enclave controlado pelo Hamas, que afirmam que milhares de outros mortos provavelmente estão sob os escombros. Grande parte da Faixa de Gaza foi reduzida a escombros.

Os moradores descreveram explosões e tiroteios quase constantes no leste e nordeste da cidade nesta sexta-feira, com intensos combates entre as forças israelenses e militantes do Hamas e da Jihad Islâmica.

“A ajuda que entra (em Gaza) pelas passagens de fronteira de Rafah e Kerem Shalom é como uma tábua de salvação para as pessoas de lá”, disse Mohamed Rageh Mohamed, chefe do escritório do norte do Sinai da instituição de caridade Misr El Kheir Foundation.

“Não há como essas pessoas viverem ou sobreviverem, exceto se a ajuda entrar em Gaza diariamente.”