Palestinos esperam que decisão da Unesco impeça ação de Israel na Cisjordânia

Sebastia, ‌no norte da Cisjordânia, possui vestígios arqueológicos de períodos sucessivos que remontam, pelo menos, à capital do reino israelita do século IX a.C.

Reuters

Sebastia (Foto: Wikimedia Commons)
Sebastia (Foto: Wikimedia Commons)

Publicidade

RAMALLAH, Cisjordânia, 25 Jul (Reuters) – ⁠Autoridades palestinas saudaram a decisão da Unesco ⁠de declarar Sebastia, na Cisjordânia ocupada, como Patrimônio Mundial, na esperança ‌de que isso impeça Israel de ampliar seu controle sobre a antiga vila, enquanto Israel condenou a medida como uma decisão política.

Sebastia, ‌no norte da Cisjordânia, possui vestígios arqueológicos de períodos sucessivos que remontam, pelo menos, à capital do reino israelita do século IX a.C., passando pelos períodos helenístico, romano, bizantino, islâmico, cruzado e otomano, de acordo com a Unesco, a organização cultural das Nações Unidas.

Oliveiras cercam o ⁠local, ‌pontilhando uma paisagem de colunas romanas, muralhas antigas, degraus de pedra ⁠e um anfiteatro. O local é tradicionalmente considerado o local de sepultamento de João Batista.

Mas os moradores palestinos da vila vizinha, muitos dos quais dependem do turismo para seu sustento, estão enfrentando confisco de terras depois que Israel anunciou um plano ​para tomar cerca de 1.800 dunams (445 acres) no local, o que, segundo o país, visa o desenvolvimento da área.

A Unesco incluiu na ​sexta-feira Sebastia em sua Lista do Patrimônio Mundial e na Lista do Patrimônio Mundial em Perigo, um mecanismo relacionado usado para sinalizar locais de patrimônio listados que enfrentam sérias ameaças, a fim de tentar protegê-los.

“Esperamos que essa decisão nos permita preservar Sebastia”, disse ‌Nizar Kayed, vice-prefeito da vila. Ele afirmou que ​a decisão de apreensão de terras por parte de Israel, anunciada no final de 2025, fazia parte de uma iniciativa israelense para expandir os assentamentos na região.

Os ministérios ⁠do Turismo e ​das Relações Exteriores da ​Palestina afirmaram na sexta-feira que esperavam que o reconhecimento da Unesco ajude a mobilizar apoio ⁠internacional contra as medidas israelenses na ​região.

O ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, disse que a decisão da UNESCO fazia parte de uma campanha palestina para obscurecer os laços ​judaicos com a terra. “Nenhuma votação em uma organização internacional pode mudar a história”, afirmou ele em comunicado.

Autoridades palestinas também ​estão preocupadas com ⁠um novo projeto de lei israelense — que ainda não foi aprovado — que estenderia o controle civil ⁠israelense sobre sítios arqueológicos na Cisjordânia.

Continua depois da publicidade

Isso, na prática, retiraria a supervisão dos sítios antigos da Autoridade Palestina, apoiada pelo Ocidente, que, nos termos dos acordos de paz de Oslo da década de 1990, exerce autogoverno limitado em partes da Cisjordânia, território conquistado por Israel na guerra de ​1967.