Ormuz reabre, petróleo desaba e guerra no Oriente Médio entra em fase decisiva

Cessar-fogo entre Israel e Líbano e acordo costurado entre EUA e Irã reduzem risco imediato no estreito, mas violações da trégua e disputa territorial ainda ameaçam a paz

Sara Baptista

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O dia em que o conflito que envolve Irã, Estados Unidos, Israel e Líbano completou sete semanas marcou também a reabertura completa do Estreito de Ormuz para navios comerciais. A medida é consequência do cessar-fogo no Líbano e indica avanço nas negociações de paz.

Nesta sexta-feira (17), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou o desbloqueio da passagem. Ele, porém, afirmou que o bloqueio militar americano continuará até que o conflito seja completamente encerrado.

Mesmo assim, os preços do petróleo despencaram cerca de 10% com a notícia da reabertura de Ormuz.

Trump também afirmou que o Irã concordou em nunca mais interromper o tráfego no Estreito de Ormuz e que o acordo está praticamente concluído. “Está perfeito”, disse, minimizando a duração da guerra, que já supera o que era esperado inicialmente.

O presidente americano se manifestou ainda sobre o programa nuclear iraniano, dizendo que ele será suspenso por tempo indeterminado. Ainda nesse tema, afirmou à Reuters que o urânio enriquecido poderá ser levado para os Estados Unidos.

Líbano e Israel

Na outra frente de batalha, a trégua entre Israel e Líbano parece se manter, abrindo caminho para um acordo e impulsionando também o entendimento entre EUA e Irã.

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Na noite de quinta-feira (16), o Irã celebrou o cessar-fogo e reforçou que ele faz parte do acordo costurado pelo Paquistão. Trump falou em “dia histórico” para o Líbano e afirmou que Washington “proibiu” que Israel volte a bombardear o país vizinho.

17 de abril de 2026 – Pessoas comemoram em uma praia em Tyre, no Líbano, após a adoção de um acordo de cessar-fogo com Israel. Foto: REUTERS/Louisa Gouliamaki

Apesar do aparente otimismo, o Exército libanês reportou “várias” violações da trégua na manhã desta quinta-feira. Já o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, disse que o país concordou com o cessar-fogo, mas “ainda não terminou” com o Hezbollah.

Do outro lado, o presidente do Líbano, Joseph Aoun, descartou qualquer possibilidade de o país aceitar ceder território em um futuro acordo de paz. Em seu discurso televisionado, ele não mencionou Israel diretamente, mas o país ocupa uma faixa no sul do Líbano e se recusa a deixar o território, mesmo durante a trégua.

Números da guerra