Novos ataques da Ucrânia atingem infraestrutura da maior varejista da Rússia

Série de investidas no sul da Rússia provocou incêndios em armazéns do maior e-commerce do país, enquanto Kiev afirma que locais forneciam componentes militares e o mercado reage com apreensão

Estadão Conteúdo

Fumaça sobe de uma refinaria de petróleo após um ataque de drone ucraniano durante o conflito entre Rússia e Ucrânia, em Moscou, Rússia, em 18 de junho de 2026, nesta imagem obtida em redes sociais. REDES SOCIAIS/via REUTERS ESTA IMAGEM FOI FORNECIDA POR TERCEIROS. TPX IMAGENS DO DIA
Fumaça sobe de uma refinaria de petróleo após um ataque de drone ucraniano durante o conflito entre Rússia e Ucrânia, em Moscou, Rússia, em 18 de junho de 2026, nesta imagem obtida em redes sociais. REDES SOCIAIS/via REUTERS ESTA IMAGEM FOI FORNECIDA POR TERCEIROS. TPX IMAGENS DO DIA

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A Ucrânia atingiu, nesta quarta-feira, 22, dois centros logísticos da Wildberries, maior varejista online da Rússia, em uma nova ofensiva com drones contra infraestrutura no país. Segundo autoridades russas, a empresa e informações da agência Reuters, os ataques deixaram feridos e provocaram incêndios em armazéns localizados nas cidades de Krasnodar e Nevinnomyssk, no sul do país.

A diretora e cofundadora da Wildberries, Tatyana Kim, informou que os dois centros foram atingidos e lamentou o ataque em uma publicação no Telegram. “Não há palavras para descrever todos os sentimentos e emoções causados pelos ataques contra pessoas comuns, contra nossos funcionários, contra todos nós que estamos simplesmente fazendo nosso trabalho”, escreveu.

O presidente da Ucrânia, Volodmir Zelenski, afirmou que os locais atingidos funcionavam como centros logísticos envolvidos no fornecimento de componentes para drones e outros equipamentos destinados às forças russas. O Kremlin, por sua vez, negou que a Wildberries participe do abastecimento militar.

Fumaça sobe de um galpão da Wildberries em chamas após um ataque em Nevinnomyssk, Rússia, em 22 de julho de 2026, nesta imagem extraída de um vídeo de rede social. Redes sociais/via REUTERS.

O governador da região, Veniamin Kondratiev, informou que dez pessoas ficaram feridas no ataque e que mais de 100 bombeiros, com apoio de um helicóptero, atuaram no combate às chamas.

Os ataques ampliam a estratégia de Kiev de atingir alvos em território russo para enfraquecer a logística ligada ao esforço de guerra de Moscou. A Ucrânia afirma que mira empresas e infraestrutura que dão suporte às forças russas, enquanto a Rússia acusa o país vizinho de atacar instalações civis. Moscou também realiza ataques frequentes contra centros logísticos, o sistema energético e a rede elétrica da Ucrânia.

No último sábado, 18, outro ataque ucraniano contra um centro da Wildberries matou oito funcionários, provocou incêndios e interrompeu as operações da empresa.

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A extensão dos danos causados pelos novos bombardeios ainda não foi divulgada. Diante da sequência de ataques, a Associação Russa de Empresas de Comércio Eletrônico (AUREK) informou que solicitou ao governo o adiamento, por seis meses, do pagamento de impostos para empresas afetadas.

Frequentemente comparada à Amazon, a Wildberries é uma das maiores empregadoras da Rússia e líder do comércio eletrônico no país. As preocupações de que outras plataformas também possam se tornar alvo dos ataques pressionaram o mercado financeiro: as ações da concorrente Ozon recuaram cerca de 4% na Bolsa de Moscou nesta quarta-feira.

Segundo a Associação de Empresas de Comércio Eletrônico, as vendas online na Rússia cresceram 28% em 2025 e alcançaram 11,5 trilhões de rublos (cerca de US$ 147 bilhões). De acordo com o vice-primeiro-ministro Alexander Novak, as plataformas digitais respondem atualmente por aproximadamente 8,5% do Produto Interno Bruto (PIB) do país.

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