Irã diz que lidará com questões econômicas e ameaça novos ataques “mais dolorosos”

Seis meses após os primeiros ataques dos EUA e de Israel ‌contra o Irã, a guerra parece estar em um impasse

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DUBAI, 6 Set (Reuters) – O Irã afirmou que intensificará os esforços para lidar com os ⁠problemas causados pelas sanções dos Estados Unidos, que estão prejudicando gravemente sua economia, enquanto uma alta autoridade ⁠iraniana alertou sobre uma “resposta dolorosa” caso o país venha a sofrer novos ataques.

Seis meses após os primeiros ataques dos EUA e de Israel ‌contra o Irã, a guerra parece estar em um impasse. Um acordo preliminar de cessar-fogo firmado em junho desmoronou e pouco progresso foi alcançado nos esforços diplomáticos para retomar o processo de paz.

Após uma pausa nas ações militares durante grande parte de agosto, os ataques de retaliação foram retomados, com ‌o Comando Central dos EUA informando que atingiu três petroleiros iranianos no sábado, em resposta ao lançamento de mísseis balísticos pela Guarda Revolucionária Islâmica contra dois navios da Marinha norte-americana.

Na esteira dos ataques, o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, disse neste domingo que os EUA deveriam compreender, “antes que seja tarde demais’, que as regras do jogo na guerra contra o Irã mudaram.

“A partir de agora, qualquer ataque contra os interesses e a segurança do Irã receberá uma resposta mais rápida, mais contundente e mais dolorosa”, disse ele em um discurso publicado em seu canal no Telegram.

Teerã demonstrou que ainda mantém a capacidade de atacar os interesses dos ⁠EUA ‌em países vizinhos e de interromper o fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz, por onde passava um quinto do abastecimento global de petróleo antes do conflito.

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SANÇÕES ⁠E BLOQUEIO PRESSIONAM ECONOMIA

No entanto, a campanha dos EUA para sufocar a economia do Irã está se tornando cada vez mais difícil de suportar, segundo três fontes iranianas de alto escalão.

Em seu discurso neste domingo, Qalibaf acrescentou que, além da frente militar, a principal batalha do Irã agora era em torno da produção e dos meios de subsistência da população.

Ele citou as fortes flutuações cambiais, a inflação, o desemprego e a gestão do mercado como os principais desafios, acrescentando que os iranianos poderiam tolerar as dificuldades, mas não a má gestão ou a inércia. Segundo ele, os ​iranianos esperam que o governo aja rapidamente.

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O ministro da Economia do Irã, Ali Madanizadeh, disse que Teerã planeja responder à pressão econômica dos EUA com reformas. Ele rejeitou a ideia de que as sanções levariam o país a mudar de rumo, informou a mídia estatal neste domingo.

“Eles falam de ​pressão econômica e isolamento, de romper laços financeiros, e acham que, ao pressionar a economia de um país, podem mudar as decisões de seu povo”, disse Madanizadeh.

“Tenho que esclarecer um ponto: a responsabilidade pela reforma da economia do Irã cabe ao seu governo e ao seu povo, não ao Tesouro dos EUA.”

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Ao mesmo tempo, o vice-ministro da Economia, Morteza Zamanian, afirmou neste domingo que a “Central de Guerra Econômica” do ministério estava redobrando seus esforços para resolver os problemas causados pela guerra, segundo a agência de notícias semioficial Tasnim.

ILHA DE KHARG FOI ATINGIDA 550 VEZES, DIZ IRÃ

O Irã é o terceiro maior produtor da ‌Organização dos Países Exportadores de Petróleo e exportava 90% de seu petróleo bruto por meio do centro de ​exportação da Ilha de Kharg antes da guerra. Os fluxos foram interrompidos desde que o bloqueio dos EUA às exportações de petróleo iraniano começou, em meados de abril.

Em 31 de agosto, Trump publicou postagem de uma linha nas redes sociais acompanhada de um vídeo gerado por IA mostrando a Ilha de Kharg sendo “reduzida a pedacinhos”. As autoridades iranianas prometeram uma resposta contundente ⁠caso Kharg seja atacada.

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Em uma entrevista transmitida pela TV estatal neste domingo, ​o ministro do Petróleo do Irã, ​Mohsen Paknejad, disse que a ilha havia sido atingida cerca de 550 vezes nos meses anteriores, mas continuava em operação.

O Irã também impôs um bloqueio ao Estreito de Ormuz, criando um problema para ⁠o presidente dos EUA, Donald Trump, ao elevar os preços dos combustíveis globalmente antes ​das eleições de meio de mandato, em novembro.

No sábado, o Comando Central dos EUA informou ter atacado três embarcações iranianas, incluindo uma na costa da Ilha de Kharg, depois que a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) lançou mísseis balísticos contra dois navios da Marinha norte-americana.

“Que a mensagem para a IRGC fique clara: se vocês atirarem em dois de nossos ​navios, imporemos um custo econômico ainda maior — destruindo três dos seus”, disse o almirante Brad Cooper, chefe do Comando Central dos EUA, que supervisiona as forças armadas no Oriente Médio.

O IRGC respondeu ameaçando intensificar os ataques contra navios militares dos EUA na região e ​afirmou posteriormente ter atacado os três petroleiros, bem ⁠como três embarcações ligadas aos EUA em outras áreas.

“Não se deixem enganar pelas forças armadas ‘terroristas’ dos EUA e evitem qualquer movimento suspeito com o objetivo de passar por vias navegáveis não autorizadas”, afirmou a Marinha ⁠do IRGC em comunicado transmitido pela TV estatal iraniana. “Caso contrário, vocês serão alvos.”

A Tasnim, agência de notícias semioficial iraniana, informou que quatro mísseis norte-americanos atingiram um petroleiro na área do ancoradouro de Kharg. A Tasnim citou fontes locais afirmando que não houve vítimas e que a tripulação do petroleiro estava sendo evacuada.

Nenhum militar norte-americano ficou ferido, informou o Comando Central.

Neste domingo, a Tasnim informou que o IRGC havia abatido um balão de vigilância dos EUA sobre Erbil, no norte do Iraque, descrevendo a ação como parte de um esforço mais amplo para eliminar os sistemas de vigilância aérea e de alerta antecipado dos EUA na região.

(Reportagem da Redação de Dubai; texto de Sharon ​Singleton)

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