No primeiro Natal como papa, Leão XIV pede diálogo direto entre Rússia e Ucrânia

Em mensagem “Urbi et Orbi”, pontífice defende coragem política para encerrar a guerra, cita Gaza, Haiti e migrantes e afirma que a paz só nasce da escuta e do diálogo

Marina Verenicz

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No discurso de Natal transmitido nesta quinta-feira (25), o papa Leão XIV usou sua primeira mensagem “Urbi et Orbi” para pressionar por uma saída negociada da guerra entre Rússia e Ucrânia.

O pontífice afirmou que o conflito só poderá ser superado se houver disposição real das partes para conversas diretas, com mediação e apoio da comunidade internacional.

Ao citar o sofrimento da população ucraniana, Leão XIV defendeu a interrupção das hostilidades e destacou que o diálogo precisa ser “sincero e respeitoso”.

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O apelo ocorre em um momento de impasse diplomático: Kiev aguarda uma resposta de Moscou a uma proposta articulada pelos Estados Unidos, que prevê estabilização da linha de frente e zonas desmilitarizadas. As últimas tentativas formais de negociação, realizadas meses atrás, não produziram avanços concretos.

Durante a Missa do Galo, celebrada no Vaticano, o papa ampliou o alcance de sua mensagem ao tratar do impacto das guerras sobre civis. Ele mencionou a situação humanitária em Gaza, ressaltando as condições precárias enfrentadas por famílias deslocadas, expostas ao frio e à falta de infraestrutura básica após anos de conflito.

Para o líder católico, esses cenários evidenciam a vulnerabilidade de populações que pagam o custo mais alto das disputas armadas.

Leão XIV também fez paralelos entre conflitos internacionais e a realidade de refugiados, migrantes e pessoas sem moradia em diferentes regiões do mundo. Segundo ele, a mensagem central do Natal é a solidariedade com os que perderam tudo, sejam vítimas de guerras, fome ou deslocamentos forçados.

“Como então podemos não pensar nas tendas em Gaza, expostas durante semanas à chuva, ao vento e ao frio; e em tantos outros refugiados e deslocados internos em todos os continentes, ou nos abrigos improvisados de milhares de pessoas sem-teto em nossas próprias cidades?”, disse.

Ao abordar a América Latina, o pontífice pediu que governantes priorizem soluções baseadas no diálogo e no interesse coletivo. Entre os países citados, destacou o Haiti, para o qual solicitou o fim da violência e a retomada de um caminho de reconciliação nacional.

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“Que o menino Jesus inspire aqueles que têm responsabilidades políticas na América Latina para que, ao enfrentar os numerosos desafios, tenham espaço ao diálogo pelo bem comum e não às exclusões ideológicas e partidárias”, declarou após a missa.

Encerrando as celebrações, Leão XIV afirmou que a paz não nasce da imposição, mas da escuta mútua. Para ele, enquanto líderes insistirem em posições isoladas, os conflitos tendem a se prolongar; somente a disposição para negociar pode abrir espaço para soluções duradouras.