Nepal e China retomam resgate; número de mortos ultrapassa 500

Ambas as partes retomaram as operações de resgate após o abrandamento da ameaça de nova inundação

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Nepal e China ⁠retomaram na sexta-feira as operações de resgate que ⁠haviam sido suspensas brevemente na região do Himalaia atingida por enchentes, ‌após se constatar que os riscos decorrentes do transbordamento de um lago eram controláveis, o que aliviou os temores de uma nova devastação.

A catastrófica inundação ‌de quarta-feira, causada pelo colapso de uma geleira, matou 547 pessoas no Nepal e cinco no Tibete, na China, com cerca de 1.000 desaparecidos nos dois países.

Uma enorme torrente de rochas, gelo, lama e detritos desceu em cascata pelos sistemas fluviais das montanhas do Himalaia após o colapso, levando também à ⁠formação ‌de um lago onde a água continuava a se acumular e subir.

Nesta sexta-feira, ⁠o reservatório do lago havia ultrapassado 2,5 milhões de metros cúbicos de água, acima dos 1,5 a 2 milhões de metros cúbicos estimados registrados na quinta, antes de transbordar para o rio Lhende Khola e, em seguida, para o Trishuli, segundo autoridades e testemunhas no Nepal.

O ​transbordamento provocou pânico e alertas das autoridades no Nepal, levando à suspensão das operações de resgate por cerca de três horas. O risco de ​rompimento do lago fez com que toda a equipe de resgate chinesa e os veículos também se retirassem para o lado chinês e permanecessem em prontidão em uma área segura, informou a emissora estatal CCTV.

Ambas as partes retomaram as operações de resgate após o abrandamento da ameaça.

“Ao meio-dia, como ‌o risco representado pelo lago represado a montante ​foi considerado controlável, as operações de resgate para o desastre do deslizamento de terra em Gyirong foram rapidamente retomadas e intensificadas”, informou a emissora estatal chinesa CCTV.

O porta-voz do Exército do ⁠Nepal, Raja Ram Basnet, disse ​à Reuters que ​as operações de resgate haviam sido temporariamente interrompidas após o alerta de enchente, mas constatou-se que a ⁠elevação do nível da água foi de ​apenas cerca de 0,6 m.

A enchente de quarta-feira varreu vilarejos e vales, destruindo usinas de energia, estradas e pontes ao longo de uma rota que liga Catmandu ​a Lhasa, no Tibete, e é popular entre trilheiros e peregrinos. Entre os desaparecidos, pelo menos 540 são estrangeiros, muitos deles peregrinos ​hindus da Índia que ⁠se dirigiam ao monte sagrado Kailash e ao lago Mansarovar, no Tibete.

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Estima-se que mais de 90 mil ⁠pessoas tenham sido afetadas, informou a Cruz Vermelha, acrescentando que caminhões com suprimentos de emergência ficaram bloqueados depois que o lago de contenção transbordou.