Musk chama premiê da Espanha de “tirano” após plano de banir redes para menores de 16

Bilionário critica proposta que veta redes a menores de 16 anos, enquanto governo espanhol endurece o discurso contra anonimato, algoritmos e executivos de big techs

Caio César

Elon Musk (Gonzalo Fuentes/Reuters)
Elon Musk (Gonzalo Fuentes/Reuters)

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O bilionário e proprietário da rede X, Elon Musk, usou sua própria plataforma para criticar a atuação do primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, pelos planos anunciados de proibir que menores de 16 anos utilizem redes sociais.

Na rede, Musk republicou um texto destacando as novas medidas de Sánchez com o comentário: “Sujo Sánchez é um tirano e traidor do povo da Espanha”. Em outras mensagens, o bilionário também chamou o premiê de “totalitário fascista”.

Durante um evento em Madri, nesta quinta-feira (5), o primeiro-ministro respondeu às críticas de Musk e do fundador do Telegram, Pavel Durov, que também atacou a nova legislação, classificando-a como uma “regulação perigosa” que levaria o país a um Estado de vigilância.

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“A democracia obviamente não será influenciada pelos oligarcas da tecnologia e do algoritmo”, disse Sánchez.

Em seu mandato, Sánchez tem endurecido o tom contra as grandes plataformas de tecnologia e a ausência de regulamentações que restrinjam a atuação de usuários na internet. Entre suas principais propostas, o premiê defende o fim do anonimato nas redes e a vinculação dos dados de todos os usuários a carteiras de identidade digital.

Em 2025, Sánchez também criticou diretamente Elon Musk, afirmando que o empresário lidera a extrema-direita no mundo, “que incita o ódio e apoia abertamente os herdeiros do nazismo na Alemanha”.

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Nova legislação

A Espanha tenta proibir o acesso às redes sociais para menores de 16 anos, e as plataformas serão obrigadas a implementar sistemas de verificação de idade para cumprir a medida. O governo Sánchez argumenta que as redes se tornaram um terreno fértil para a disseminação de desinformação e discursos de ódio, com efeitos negativos sobre a juventude.

A medida segue o exemplo da Austrália, que se tornou o primeiro país a proibir redes sociais para menores de 16 anos.

A Espanha também apresentará, na próxima semana, um projeto de lei para responsabilizar executivos de redes sociais por conteúdos ilegais e de incitação ao ódio, além de criminalizar a manipulação algorítmica e a amplificação de conteúdos ilegais.

Pressão

Na terça-feira (3), o Reino Unido se juntou a uma lista de países que abriram novas investigações contra a rede X, Elon Musk e, em especial, a inteligência artificial da plataforma, a Grok.

A medida ocorre após relatos de que a IA teria sido usada para gerar imagens sexuais sem consentimento — incluindo de menores de idade, o que configura pornografia infantil.

No Brasil, o Ministério Público Federal, em parceria com a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) e a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), recomendou medidas imediatas para barrar a produção e a distribuição desses conteúdos.

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Entre as recomendações estão: criação de procedimentos técnicos para identificar, revisar e remover nudes digitais presentes no X; suspensão imediata das contas envolvidas; implementação de mecanismos de denúncia com tempo de resposta adequado; e elaboração de relatório de impacto à proteção de dados pessoais específico para as atividades de geração de conteúdo sintético.

Nesta semana, a polícia da França e a Europol fizeram buscas nos escritórios da rede X e intimaram Elon Musk a depor. Além dele, as autoridades também convocaram Linda Yaccarino, ex-CEO da empresa, para uma audiência em 20 de abril, na qual ambos devem ser questionados sobre suspeitas de abuso de algoritmos e criação de ferramentas que possibilitam deepfakes, como o uso da inteligência artificial Grok.

Em julho, Musk já havia negado as acusações e classificado a operação francesa como “uma investigação criminal motivada politicamente”.

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O posicionamento das autoridades segue a onda global de pressão contra a xAI. Desde o começo do ano, a situação motivou investigações, restrições ou suspensão do serviço em diferentes países, como Indonésia, Malásia, União Europeia, Reino Unido, França e Índia, além do Estado da Califórnia, nos EUA.