Milhares pressionam Netanyahu por fim da guerra e libertação de reféns

Com pneus queimados, os manifestantes bloquearam estradas em várias partes de Israel

Estadão Conteúdo

Pessoas protestam em Tel Aviv, Israel, depois que famílias de reféns convocaram uma greve nacional para exigir o retorno de todos os reféns e o fim da guerra em Gaza, em 17 de agosto de 2025. REUTERS/Itay Cohen
Pessoas protestam em Tel Aviv, Israel, depois que famílias de reféns convocaram uma greve nacional para exigir o retorno de todos os reféns e o fim da guerra em Gaza, em 17 de agosto de 2025. REUTERS/Itay Cohen

Publicidade

Dezenas de milhares de israelenses foram às ruas nesta terça-feira, 26, para pressionar o premiê Binyamin Netanyahu a negociar a libertação dos reféns e o fim da guerra em Gaza. Mais de 350 mil pessoas se reuniram em uma praça de Tel-Aviv, pedindo ao governo que aceite um acordo proposto por Egito e Catar, já chancelado pelo Hamas. O primeiro-ministro ignorou os apelos e nem sequer discutiu o tema na reunião de gabinete realizada em Jerusalém.

Com pneus queimados, os manifestantes bloquearam estradas em várias partes de Israel, exibindo fotos de reféns. “Levar adiante o plano de conquista de Gaza enquanto há um acordo em pauta para assinatura do primeiro-ministro é uma facada no coração das famílias e de toda a nação”, disse Itzik Horn, pai de Iair Horn, libertado em fevereiro, e de Eitan Horn, que ainda está refém. Os irmãos foram capturados no ataque liderado pelo Hamas contra Israel, em 7 de outubro de 2023, que deu início à guerra.

Discussão

Continua depois da publicidade

O gabinete de segurança de Israel se reuniu ontem para discutir a nova ofensiva militar para tomar a Cidade de Gaza, mas deixou o destino da proposta de cessar-fogo em dúvida ao não apresentar nenhuma resposta – na semana passada, Netanyahu havia sugerido que responderia até sexta-feira, dia 22.

Segundo o jornal Times of Israel, quatro autoridades confirmaram que o foco da reunião foi o avanço militar na Cidade de Gaza – e não os protestos ou o acordo de cessar-fogo.

O Catar, um dos países mediadores, afirmou que Israel ainda não respondeu à proposta, acrescentando que não acredita que o governo israelense esteja realmente interessado em chegar a um acordo.

O governo egípcio teria expressado sua “decepção, frustração e raiva” com Israel pela falta de resposta a uma proposta com a qual Israel, há poucos meses, concordava quase que integralmente.

A proposta de cessar-fogo foi descrita como um “acordo parcial” que libertaria imediatamente alguns dos reféns, presos há quase dois anos; permitiria a entrada de mais ajuda humanitária na Faixa de Gaza; e forneceria um caminho para discussões sobre o fim definitivo da guerra.

Ofensiva

Continua depois da publicidade

Autoridades israelenses decidiram prosseguir com a ofensiva militar na Cidade de Gaza e sinalizaram que querem negociar apenas um acordo abrangente que liberte todos os reféns de uma só vez e desarme o Hamas.

O cessar-fogo vem provocando divisões entre o comando civil e militar de Israel, segundo a imprensa israelense. O chefe do Estado-Maior do exército, Eyal Zamir, teria afirmado a portas fechadas, durante reunião do gabinete de guerra, que o governo deveria aceitar a proposta que está sendo oferecida – publicamente, no entanto, ele garantiu que acatará as ordens do premiê. (COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS)

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.