Maduro negociou exílio em Belarus antes de captura pelos EUA, diz jornal

Tratativas envolveram apoio da Rússia e avançaram em meio ao cerco americano sobre Caracas

Marina Verenicz

O presidente venezuelano Nicolás Maduro, capturado, chega ao heliporto do centro de Manhattan, a caminho do Tribunal Federal Daniel Patrick de Manhattan para sua primeira audiência perante o tribunal, onde enfrentará acusações federais americanas, incluindo narcoterrorismo, conspiração, tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e outros crimes, na cidade de Nova York, EUA, em 5 de janeiro de 2026. REUTERS/Eduardo Munoz
O presidente venezuelano Nicolás Maduro, capturado, chega ao heliporto do centro de Manhattan, a caminho do Tribunal Federal Daniel Patrick de Manhattan para sua primeira audiência perante o tribunal, onde enfrentará acusações federais americanas, incluindo narcoterrorismo, conspiração, tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e outros crimes, na cidade de Nova York, EUA, em 5 de janeiro de 2026. REUTERS/Eduardo Munoz

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O presidente venezuelano Nicolás Maduro negociou, ainda antes de ser capturado pelas forças dos Estados Unidos, a possibilidade de um exílio em Belarus, governado pelo ditador Aleksandr Lukachenko.

As conversas teriam começado em novembro de 2025, quando o cerco diplomático e militar de Washington sobre a Venezuela se intensificou. As informações foram reveladas pela Folha de S. Paulo.

Segundo relatos obtidos pelo jornal junto a fontes com acesso às negociações em Moscou, Maduro acionou diretamente a rede de aliados internacionais para construir uma saída segura do poder.

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O emissário escolhido foi o embaixador venezuelano na Rússia, o general Jesús Salazar Velásquez, enviado a Minsk em 25 de novembro para sondar as condições oferecidas pelo governo belarusso. A resposta teria sido positiva: Lukachenko sinalizou que o país estava preparado para receber o líder chavista.

A preferência inicial de Maduro, no entanto, era Moscou. A alternativa acabou descartada por Vladimir Putin, que avaliou que acolher o venezuelano poderia comprometer a interlocução direta com Donald Trump em um momento sensível das negociações sobre a guerra na Ucrânia. Belarus surgiu, assim, como opção intermediária e politicamente menos custosa para o Kremlin.