Irã nega atividade nuclear em montanha e acusa EUA de criar pretexto para ataques

Teerã afirma que local citado por Trump não abriga centrífugas e critica silêncio da AIEA diante das ameaças americanas de bombardeio ao complexo subterrâneo

Estadão Conteúdo

Mísseis iranianos em exposição no Museu da Força Aeroespacial do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), em Teerã, Irã - 12/11/2025 (Foto: Majid Asgaripour/WANA via REUTERS)
Mísseis iranianos em exposição no Museu da Força Aeroespacial do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), em Teerã, Irã - 12/11/2025 (Foto: Majid Asgaripour/WANA via REUTERS)

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O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, afirmou nesta quarta-feira que não há qualquer atividade nuclear na montanha Kolang Kouh, conhecida como Pickaxe Mountain, e acusou os Estados Unidos de fabricar um pretexto para justificar novos ataques ao país.

Em publicação no X, Baghaei disse que as repetidas ameaças e ataques dos EUA contra instalações nucleares iranianas violam a Carta da ONU, o direito internacional e resoluções da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). Segundo ele, as atividades nucleares do Irã “foram integralmente declaradas à AIEA, em conformidade com suas obrigações de salvaguardas”.

O porta-voz afirmou ainda que o foco de Washington na montanha Kolang Kouh, “onde nenhuma atividade nuclear está ocorrendo”, é “nada mais do que um pretexto fabricado para agressão, destruição e sabotagem”. Baghaei também questionou a atuação do diretor-geral da AIEA, Rafael Grossi, perguntando: “Onde está o diretor-geral da AIEA, que também é candidato a secretário-geral da ONU?”.

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As declarações respondem às ameaças feitas na terça-feira, 21, pelo presidente dos EUA, Donald Trump, que afirmou que as forças americanas poderão atingir “muito em breve” a Pickaxe Mountain. Segundo Trump, existe a possibilidade de o Irã ter transferido centrífugas para o local, cuja profundidade poderia dificultar sua destruição até mesmo com as bombas antibunker mais potentes dos EUA.

A montanha fica ao lado da instalação de enriquecimento de urânio de Natanz, alvo de bombardeios americanos durante a Operação Midnight Hammer, em 2025. O local permanece inacessível aos inspetores da AIEA, e especialistas acreditam que o Irã esteja construindo ali uma instalação subterrânea capaz de abrigar centrífugas e atividades de enriquecimento de urânio. O governo iraniano, porém, reitera que seu programa nuclear tem fins exclusivamente pacíficos.

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