Irã ameaça manifestantes com pena de morte enquanto repressão aumenta

Autoridades endurecem resposta aos protestos que desafiam o regime, acusando manifestantes de vandalismo e de agir a mando de potências estrangeiras

Bloomberg

Manifestantes se reúnem enquanto veículos queimam, em meio a protestos anti-governo em evolução, em Teerã, Irã, nesta imagem capturada de vídeo nas redes sociais divulgado em 9 de janeiro de 2026. Redes sociais/via REUTERS
Manifestantes se reúnem enquanto veículos queimam, em meio a protestos anti-governo em evolução, em Teerã, Irã, nesta imagem capturada de vídeo nas redes sociais divulgado em 9 de janeiro de 2026. Redes sociais/via REUTERS

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As autoridades iranianas intensificaram a repressão aos protestos que acontecem em todo o país, ameaçando os manifestantes com a pena de morte, diante da expectativa de novos atos de descontentamento na noite de sexta-feira.

O líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, afirmou que a República Islâmica não vai tolerar “vandalismo” nem “pessoas agindo como mercenários de potências estrangeiras”, informou a emissora estatal Press TV.

Um procurador de Teerã avisou que quem danificar patrimônio público pode ser condenado à morte. O Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica, responsável por defender os pilares da revolução de 1979, também divulgou um comunicado dizendo que “a continuação dessa situação é inaceitável” e que tem o direito de se vingar de “atos terroristas”.

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Essas declarações mostram que o governo quer endurecer ainda mais a resposta às quase duas semanas de protestos, mesmo com o presidente Masoud Pezeshkian reconhecendo que as queixas econômicas dos manifestantes são legítimas e pedindo que as forças de segurança tenham moderação.

Os protestos são o maior desafio ao governo teocrático de Khamenei, de 86 anos, desde a revolta nacional de 2022. Eles começaram no Grande Bazar de Teerã, em 28 de dezembro, depois que a moeda iraniana caiu a níveis recordes, agravando a crise do custo de vida em uma economia castigada por sanções.

Desde o início dos protestos, 42 pessoas morreram, segundo a Human Rights News Agency, com sede nos EUA, que monitora manifestações e ativistas políticos no Irã. A BBC confirmou pelo menos 21 dessas mortes.

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A situação do país, membro da Opep, piorou com a corrupção e a forte queda nos preços do petróleo no último ano. O barril de Brent subiu cerca de 4% nesta semana, ultrapassando US$ 62, seu maior ganho semanal desde outubro, em meio aos protestos.

Os distúrbios afetaram o tráfego aéreo para dentro e fora do país. Companhias aéreas estrangeiras cancelaram todos os voos de sexta-feira entre Teerã e Istambul a partir das 11h30, horário local, com atrasos e cancelamentos também em Dubai, segundo sites de aeroportos.

O grupo de monitoramento NetBlocks informou na quinta-feira um apagão nacional da internet no Irã. Tentativas da Bloomberg de contatar pessoas no país por telefone fixo e celular foram infrutíferas. Um morador de Teerã disse que as ligações não funcionavam ou apresentavam falhas, e o envio de mensagens SMS estava muito restrito.

As autoridades iranianas costumam usar essas táticas durante períodos de agitação para impedir que imagens da violência estatal contra civis sejam divulgadas.

Mesmo assim, vídeos postados no X e no Instagram durante a madrugada mostraram grandes grupos de pessoas reunidas em várias ruas principais da capital. Em um dos vídeos, centenas de manifestantes no bairro Karim Khan gritavam “morte ao ditador”.

Na cidade de Isfahan, manifestantes derrubaram a placa de entrada de uma filial da TV estatal — que minimizou os protestos — enquanto chamas queimavam ao fundo.

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A Bloomberg não conseguiu verificar a autenticidade dos vídeos.

Em pelo menos uma postagem, é possível ouvir o cântico “Viva o xá”, em referência ao falecido xá do Irã — deposto durante a revolução de 1979 — e seu filho, Reza Pahlavi, que vive exilado nos EUA.

Pahlavi, de 65 anos, diz querer liderar a transição para a democracia no Irã e tem incentivado os iranianos a protestar. No X, ele convocou a população a “aumentar ainda mais a multidão” na noite de sexta-feira.

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O presidente dos EUA, Donald Trump, chamou Pahlavi de “pessoa legal”, mas disse não ter certeza se seria “apropriado” encontrá-lo. O governo do pai de Pahlavi foi amplamente rejeitado, e sua queda deu origem à República Islâmica.

“Acho que devemos deixar todo mundo sair às ruas e ver quem vai prevalecer”, disse Trump em entrevista. Ele reiterou o alerta para o Irã não matar manifestantes, afirmando que “se fizerem isso, vão pagar caro”.

Khamenei respondeu que Trump deveria “se preocupar em governar seu próprio país, se for capaz”, e que suas mãos estão “manchadas de sangue” após os ataques aéreos dos EUA e Israel contra o Irã em junho.

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