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O governo do Irã impôs um corte quase total de internet e telefonia em meio à expansão dos protestos contra a deterioração da economia, que já se espalharam por todo o país e deixaram ao menos 34 a 45 mortos, segundo organizações de direitos humanos e relatos colhidos pela imprensa internacional.
O apagão digital foi registrado pela NetBlocks, que apontou uma queda abrupta nos níveis de conectividade nacional após uma sequência de medidas de censura voltadas a conter as manifestações. Instituições acadêmicas que monitoram o tráfego de dados confirmaram o impacto generalizado da restrição.
Os protestos começaram há cerca de duas semanas, após nova desvalorização do rial, e ganharam escala rapidamente. Dados da Human Rights Activists News Agency indicam atos em mais de 300 localidades nas 31 províncias do país e mais de 2.200 prisões. A BBC confirmou mortes e a realização de grandes manifestações em Teerã, Mashhad e outras cidades, com registros de confrontos e uso de força por agentes de segurança.
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Segundo relatos divulgados pela Al Jazeera, milhares de pessoas foram às ruas da capital na noite de quinta-feira (8), com bloqueio de vias e confrontos pontuais com a polícia. O veículo também informou denúncias de invasões a hospitais para deter manifestantes feridos, citando alertas de organizações internacionais de direitos humanos.
A escalada ocorre em um contexto de crise econômica profunda, marcada por inflação elevada e colapso da moeda local, pressionada por sanções ligadas ao programa nuclear e pelos efeitos de confrontos militares recentes. O governo anunciou um subsídio mensal de cerca de US$ 7 por família para alimentos, medida considerada limitada diante da dimensão do problema.
Autoridades iranianas adotaram discursos divergentes. O presidente Masoud Pezeshkian pediu “máxima contenção” e diálogo, enquanto o líder supremo, Ali Khamenei, afirmou que manifestantes devem ser ouvidos, mas que “arruaceiros devem ser colocados em seu lugar”. O Judiciário prometeu tolerância zero a quem considerar responsável por “insegurança”.
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O agravamento do cenário interno ganhou repercussão internacional após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que afirmou que Washington pode intervir caso autoridades iranianas matem manifestantes. O governo iraniano reagiu classificando a retórica como ameaça externa e reforçando o discurso de ingerência estrangeira.
Com o bloqueio das comunicações, a obtenção de informações independentes dentro do país tornou-se mais difícil. Ainda assim, vídeos verificados por veículos internacionais indicam que os protestos seguem em curso, ampliando a pressão sobre o regime em um dos momentos de maior instabilidade interna dos últimos anos.
