Irã corta internet após protestos ganharem escala nacional, com dezenas de mortos

Manifestações motivadas pela crise econômica já alcançam mais de 100 cidades, segundo grupos de monitoramento, enquanto autoridades ampliam repressão e restringem comunicações

Equipe InfoMoney

Manifestantes se reúnem enquanto veículos são incendiados, em meio à crescente onda de protestos antigovernamentais, em Teerã, Irã, nesta imagem capturada de um vídeo de mídia social divulgado em 9 de janeiro de 2026. Mídia Social/via REUTERS
Manifestantes se reúnem enquanto veículos são incendiados, em meio à crescente onda de protestos antigovernamentais, em Teerã, Irã, nesta imagem capturada de um vídeo de mídia social divulgado em 9 de janeiro de 2026. Mídia Social/via REUTERS

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O governo do Irã impôs um corte quase total de internet e telefonia em meio à expansão dos protestos contra a deterioração da economia, que já se espalharam por todo o país e deixaram ao menos 34 a 45 mortos, segundo organizações de direitos humanos e relatos colhidos pela imprensa internacional.

O apagão digital foi registrado pela NetBlocks, que apontou uma queda abrupta nos níveis de conectividade nacional após uma sequência de medidas de censura voltadas a conter as manifestações. Instituições acadêmicas que monitoram o tráfego de dados confirmaram o impacto generalizado da restrição.

Os protestos começaram há cerca de duas semanas, após nova desvalorização do rial, e ganharam escala rapidamente. Dados da Human Rights Activists News Agency indicam atos em mais de 300 localidades nas 31 províncias do país e mais de 2.200 prisões. A BBC confirmou mortes e a realização de grandes manifestações em Teerã, Mashhad e outras cidades, com registros de confrontos e uso de força por agentes de segurança.

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Segundo relatos divulgados pela Al Jazeera, milhares de pessoas foram às ruas da capital na noite de quinta-feira (8), com bloqueio de vias e confrontos pontuais com a polícia. O veículo também informou denúncias de invasões a hospitais para deter manifestantes feridos, citando alertas de organizações internacionais de direitos humanos.

A escalada ocorre em um contexto de crise econômica profunda, marcada por inflação elevada e colapso da moeda local, pressionada por sanções ligadas ao programa nuclear e pelos efeitos de confrontos militares recentes. O governo anunciou um subsídio mensal de cerca de US$ 7 por família para alimentos, medida considerada limitada diante da dimensão do problema.

Autoridades iranianas adotaram discursos divergentes. O presidente Masoud Pezeshkian pediu “máxima contenção” e diálogo, enquanto o líder supremo, Ali Khamenei, afirmou que manifestantes devem ser ouvidos, mas que “arruaceiros devem ser colocados em seu lugar”. O Judiciário prometeu tolerância zero a quem considerar responsável por “insegurança”.

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O agravamento do cenário interno ganhou repercussão internacional após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que afirmou que Washington pode intervir caso autoridades iranianas matem manifestantes. O governo iraniano reagiu classificando a retórica como ameaça externa e reforçando o discurso de ingerência estrangeira.

Com o bloqueio das comunicações, a obtenção de informações independentes dentro do país tornou-se mais difícil. Ainda assim, vídeos verificados por veículos internacionais indicam que os protestos seguem em curso, ampliando a pressão sobre o regime em um dos momentos de maior instabilidade interna dos últimos anos.