Guerrilhas anunciam cessar-fogo de 3 dias antes da eleição presidencial na Colômbia

Candidatos reforçam segurança em meio à pior crise de violência em uma década

Marina Verenicz

Una guerrillera del grupo rebelde colombiano Estado Mayor Central, Frente Carlos Patino, disidente de la antigua guerrilla de las FARC, lleva un pañuelo en el brazo con la imagen de Manuel Marulanda, ex líder del mayor movimiento guerrillero de Colombia, las FARC, en un puesto de control en una carretera en Canon del Micay, Colombia, 5 de agosto de 2025. REUTERS/Luisa González
Una guerrillera del grupo rebelde colombiano Estado Mayor Central, Frente Carlos Patino, disidente de la antigua guerrilla de las FARC, lleva un pañuelo en el brazo con la imagen de Manuel Marulanda, ex líder del mayor movimiento guerrillero de Colombia, las FARC, en un puesto de control en una carretera en Canon del Micay, Colombia, 5 de agosto de 2025. REUTERS/Luisa González

Publicidade

A menos de duas semanas do primeiro turno presidencial na Colômbia, dois dos principais grupos armados do país anunciaram pausas temporárias nas ações militares em meio ao avanço da violência política e ao aumento das ameaças contra candidatos.

O Exército de Libertação Nacional (ELN) informou nesta quarta-feira (20) que fará um cessar-fogo unilateral entre os dias que antecedem a votação de 31 de maio para “respeitar o direito de voto” dos colombianos.

O comunicado foi divulgado poucos dias depois de o Estado-Maior Central, dissidência das antigas Farc, também anunciar a suspensão de operações ofensivas entre 20 de maio e 10 de junho.

Os anúncios ocorrem em um cenário de deterioração da segurança pública no país às vésperas da sucessão do presidente Gustavo Petro. A eleição definirá o comando da Colômbia entre 2026 e 2030 e vem sendo marcada pelo fortalecimento do discurso de combate ao crime organizado.

Violência volta ao centro da campanha

O ambiente eleitoral colombiano passou a ser dominado pela pauta da segurança após uma escalada de atentados e ameaças envolvendo civis e políticos.

Em abril, homens ligados ao guerrilheiro Iván Mordisco, líder do Estado-Maior Central, mataram 21 pessoas em um ataque com explosivos em uma rodovia no sudoeste do país. O atentado foi considerado o pior contra civis na Colômbia em duas décadas.

Continua depois da publicidade

Mordisco é hoje um dos homens mais procurados do país e já foi comparado por Gustavo Petro ao narcotraficante Pablo Escobar.

As dissidências das Farc que rejeitaram o acordo de paz firmado em 2016 passaram a ocupar espaço relevante na nova onda de violência colombiana. Depois do desarmamento da antiga guerrilha, Petro manteve negociações apenas com grupos menores e com o cartel narcotraficante Clã do Golfo.

Candidatos reforçam proteção

A campanha presidencial também passou a conviver com protocolos de segurança mais rígidos. O senador Miguel Uribe, que pretendia disputar a Presidência pela oposição, morreu em agosto do ano passado após um atentado a tiros em Bogotá. Desde então, candidatos passaram a relatar ameaças frequentes durante a corrida eleitoral.

O advogado Abelardo de la Espriella, um dos nomes associados ao discurso de linha-dura contra o crime, começou a realizar eventos protegido por uma estrutura de vidro blindado. Já a senadora conservadora Paloma Valencia afirmou ter recebido mensagens intimidatórias, o que levou o governo colombiano a reforçar sua escolta.

Gustavo Petro também declarou ter recebido informações sobre um possível plano de atentado contra o senador Iván Cepeda, aliado do governo e apontado como favorito nas pesquisas.

Eleição opõe negociação

O avanço da violência reorganizou o debate eleitoral colombiano e ampliou a pressão sobre o modelo de segurança defendido pelo atual governo.

Continua depois da publicidade

Iván Cepeda representa a continuidade da política de negociações com grupos armados iniciada por Petro, enquanto adversários passaram a defender respostas mais duras contra guerrilhas, facções e narcotráfico.

A disputa acontece em meio à pior crise de segurança da Colômbia em cerca de dez anos, segundo avaliações, com aumento de atentados, fortalecimento de dissidências armadas e avanço territorial de grupos criminosos em regiões estratégicas do país.