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Donald Trump embarca nesta terça-feira (12) para a China em uma viagem que recoloca frente a frente as duas maiores potências do mundo em um momento de forte pressão geopolítica.
O presidente dos Estados Unidos terá uma reunião com Xi Jinping na quinta-feira (14), em Pequim, com uma agenda dominada por disputas estratégicas, segurança internacional e tecnologia.
O encontro acontece menos de um ano após a última reunião presencial entre os dois líderes, realizada em outubro de 2025, quando Washington e Pequim anunciaram uma pausa na guerra comercial e abriram espaço para negociações econômicas.
Desta vez, porém, o ambiente internacional é mais instável. A guerra envolvendo o Irã alterou o eixo das conversas entre americanos e chineses e ampliou a pressão sobre Pequim.

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A China segue como uma das principais compradoras de petróleo iraniano e mantém relação diplomática próxima com Teerã. O governo Trump tenta convencer Xi Jinping a usar essa influência para destravar negociações nucleares e evitar uma nova escalada militar no Oriente Médio.
A pauta de segurança internacional também inclui a Rússia. Integrantes da Casa Branca avaliam que a interlocução chinesa pode ser importante para destravar negociações relacionadas à guerra na Ucrânia e às tentativas de cessar-fogo patrocinadas pelos Estados Unidos.
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Além dos conflitos regionais, Washington e Pequim chegam ao encontro pressionados por um novo ciclo de tensão militar. Nos últimos meses, Trump acusou a China de realizar testes nucleares subterrâneos de forma secreta e sem transparência internacional.
A gestão americana passou a defender um possível acordo trilateral entre Estados Unidos, Rússia e China para limitar a expansão nuclear. O governo chinês, porém, já indicou que não considera o tema prioridade neste momento.
Outro foco de atrito será Taiwan. Os Estados Unidos ampliaram o fornecimento de equipamentos militares para a ilha, enquanto a China intensificou exercícios e movimentações militares na região.
Na segunda-feira (11), Trump confirmou que pretende discutir diretamente com Xi o envio de armas americanas para Taiwan. O presidente afirmou que o líder chinês gostaria de interromper esse apoio militar, mas indicou que Washington não pretende abandonar a parceria estratégica com a ilha.
A tecnologia também ganhou espaço central nas negociações entre os dois países. Assessores de Trump têm demonstrado preocupação crescente com o avanço da inteligência artificial chinesa e com suspeitas de espionagem tecnológica.
Em abril, autoridades americanas acusaram grupos ligados à China de tentar acessar sistemas de inteligência artificial dos EUA usando contas falsas e mecanismos para driblar barreiras de segurança.
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O episódio elevou a pressão dentro do governo americano para restringir exportações de chips avançados e ampliar controles sobre empresas chinesas de tecnologia.
Na área econômica, o encontro servirá ainda para discutir o futuro da trégua comercial firmada no ano passado. O acordo reduziu tarifas entre os dois países e garantiu a continuidade do fornecimento de minerais raros chineses para a indústria americana.
Diplomatas dos dois lados trabalham agora na criação de fóruns permanentes para facilitar investimentos e negociações comerciais, além de discutir uma possível extensão do tratado que interrompeu a guerra tarifária entre Washington e Pequim.
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