Publicidade
WASHINGTON/BERLIM, 31 Ago (Reuters) – O governo do presidente Donald Trump planeja gastar US$4 milhões para fortalecer a mídia de direita na Europa, como parte de um pacote de pelo menos US$25 milhões destinado a grupos da sociedade civil que atuam em causas conservadoras na região, segundo quatro pessoas a par do financiamento.
Essas verbas correm o risco de aprofundar as tensões entre o governo Trump e os governos europeus, alguns dos quais já acusaram Washington de interferir em sua política interna.

PIB do Brasil, PMIs, Jolts nos EUA e mais destaques desta terça-feira
InfoMoney reúne as principais informações que devem movimentar os mercados nesta terça-feira (1º)

Secretário do Exército dos EUA deixará cargo em nova saída na gestão Trump
Dan Driscoll, aliado de JD Vance, deixa a função após 18 meses em meio a uma série de mudanças na cúpula militar e relatos de tensões com Pete Hegseth
O Departamento de Democracia, Direitos Humanos e Trabalho (DRL) do Departamento de Estado dos EUA afirma que o financiamento tem como objetivo fortalecer os laços transatlânticos e promover a liberdade de expressão. Isso ocorre no momento em que os países europeus se preparam para eleições nos próximos dois anos e em que o governo Trump apoia abertamente os partidos populistas de direita e de extrema-direita da Europa.
O Departamento de Estado notificou o Congresso sobre sua intenção de alocar esses recursos em 21 de agosto, segundo as fontes, que falaram sob condição de anonimato para discutir os planos.
Um total de US$3 milhões foi destinado a um programa para “documentar e analisar o retrocesso democrático na Europa no que se refere à migração em massa e ilegal, ao panorama da mídia independente e às agendas legislativas de entidades supranacionais”, segundo as fontes.
Outro US$1 milhão tem como objetivo criar um consórcio de jornalistas independentes que cubram temas como soberania nacional, direitos naturais e liberdade religiosa na Europa, acrescentaram.
A Reuters não conseguiu determinar quais organizações ou jornalistas provavelmente receberão os recursos.
Um porta-voz do Departamento de Estado afirmou que o DRL não financia partidos políticos e que o governo Trump continua comprometido com a defesa da democracia e dos direitos humanos em todo o mundo, inclusive na Europa.
A Comissão Europeia não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.
Continua depois da publicidade
FOCO NAS VOZES CONSERVADORAS
O governo Trump se afastou em grande parte da tradicional promoção pelos Estados Unidos da democracia e dos direitos humanos, concentrando-se, em vez disso, em questões econômicas e comerciais.
Também tem defendido causas seletivas, particularmente aquelas ligadas a políticos de direita e ao que considera uma censura às vozes conservadoras na internet.
Continua depois da publicidade
Cerca de US$10 milhões em financiamento já foram divulgados por meio de três editais do Departamento de Estado para candidatos, publicados em julho e agosto. O edital de financiamento de 21 de agosto faz parte de um montante adicional de pelo menos US$15 milhões, elevando o valor total das verbas destinadas a trabalhos relacionados à Europa para um mínimo de US$25 milhões.
O financiamento provocou reações negativas de algumas capitais europeias.
“A França e os europeus não tolerarão nenhuma tentativa de interferência estrangeira em seus processos eleitorais, independentemente de onde venha”, escreveu o ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot, no X em julho, em resposta aos anúncios de financiamento.
Continua depois da publicidade
As subvenções para a Europa fazem parte de uma proposta de financiamento mais ampla do Departamento de Estado, totalizando quase US$180 milhões, que inclui uma combinação de programas, entre eles subvenções para documentar “abusos” contra comunidades minoritárias na África do Sul e apoiar a sociedade civil no combate à “ingerência judicial e à censura” no Brasil.
O pacote de financiamento inclui inúmeras subvenções para a promoção tradicional da democracia, com foco em governos opressivos, como os da China e da Coreia do Norte.
Espera-se que o financiamento seja finalizado até o final de setembro, segundo três pessoas a par das iniciativas.
Continua depois da publicidade