Publicidade
O ex-governador de Nueva Esparta, Alfredo Díaz, um opositor de Nicolás Maduro na Venezuela e que estava preso há cerca de um ano, morreu na prisão, informaram a família do político e organizações de direitos humanos. Embora as autoridades tenham comunicado aos familiares que Díaz teria sofrido um infarto fatal na sexta-feira (5), as ONGs estão pedindo que se investiguem as circunstâncias anteriores à morte.
O político estava detido desde 2024 no El Helicoide, sede do Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional (SEBIN), em Caracas.
Leia também: Genro de opositor de Maduro é condenado a 30 anos de prisão na Venezuela, diz família
Aproveite a alta da Bolsa!
A ONG de direitos humanos na Venezuela Provea se manifestou por meio de sua conta no X para condenar o falecimento do ex-governador. Para a organização, a causa da morte de Alfredo Díaz é responsabilidade do Estado.
“Não sabemos se o Sr. Díaz recebeu atendimento médico em tempo hábil antes de sua morte. Durante um ano, Alfredo Díaz permaneceu incomunicável — sem direito a visitas de familiares ou advogados — em El Helicoide, uma situação que se tornou recorrente para a maioria dos presos políticos e que constitui uma violação das garantias de direito à defesa e à integridade física dos detidos, além de um ato de crueldade que se estende às suas famílias”, escreveu a ONG no X.
A informação é que pelo menos seis presos políticos sob custódia do Estado morreram entre agosto de 2024 e dezembro de 2025. “Este número alarmante reflete as condições precárias de detenção e revela a falha do Estado em cumprir suas obrigações segundo as normas internacionais de proteção aos presos, incluindo as Regras de Mandela das Nações Unidas”, disse a organização.
Continua depois da publicidade
Em setembro passado, a Missão de Apuração de Fatos das Nações Unidas concluiu que havia motivos razoáveis para acreditar que o Estado não agiu com a devida diligência em relação às mortes dou outros cinco presos políticos sob custódia estatal, que não receberam assistência médica adequada e em tempo hábil e também foram submetidos a tratamento cruel, desumano e degradante.
Nas redes sociais, a opositora de Maduro, Maria Corina Machado, disse ter recebido a notícia com consternação. Ela afirmou que as circunstâncias das mortes de presos políticos – que incluiriam a negação de atendimento médico. Tortura, isolamentos e tratos degradantes – revelam um padrão seguido de repressão estatal. O aparato de segurança e penitenciário foi instrumentalizado para perseguir, castigar e quebrar a quem pensa diferente”, escreveu em nota.
Já a Anistia Internacional Américas emitiu nota dizendo que as graves violações de direitos humanos que Díaz sofreu desde sua prisão arbitrária em novembro de 2024 devem ser investigadas por tribunais independentes. “Os crimes de lesa humanidade têm que ser investigados. Exigimos verdade, justiça e reparação para Alfredo e todas as vítimas na Venezuela”, disse em nota a diretora da organização, Ana Piquer.