EUA planejam operações militares em terra contra narcotraficantes na América Latina

Pete Hegseth afirma que Washington pretende ampliar ofensiva contra cartéis e grupos classificados como terroristas, em parceria com países da região

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Os Estados Unidos pretendem ampliar para operações terrestres a estratégia militar que vêm usando contra o narcotráfico em águas internacionais, afirmou o secretário de Guerra, Pete Hegseth, na quarta-feira (12).

Segundo ele, grupos envolvidos com o tráfico poderão ser alvo de ações americanas “onde quer que” estejam operando, inclusive fora dos países que participam da Coalizão Anticartéis das Américas, iniciativa criada pelo governo Donald Trump.

“Será o mesmo efeito em terra. Por isso, estamos trabalhando com Equador, Colômbia e outros parceiros para levar a luta às DTOs [organizações designadas como terroristas] em terra”, afirmou Hegseth.

O secretário comparou essas organizações a grupos jihadistas que há anos são alvo de operações militares dos Estados Unidos.

“Onde quer que trafiquem drogas ou ameacem o povo americano ou nossos parceiros, essas organizações são um alvo, assim como o ISIS [Estado Islâmico] ou a Al-Qaeda.”

A declaração amplia o alcance de uma ofensiva iniciada em setembro do ano passado. Desde então, forças americanas passaram a atacar embarcações suspeitas de transportar drogas no Caribe e no leste do Oceano Pacífico. Segundo os dados apresentados, essas ações deixaram pelo menos 215 mortos.

A estratégia poderia alcançar organizações envolvidas em diferentes etapas do narcotráfico, do comércio de cocaína na América do Sul ao fentanil no México. O secretário também incluiu remanescentes de guerrilhas colombianas entre os grupos que considera alvos possíveis.

“Não vamos submetê-los a um processo judicial, onde sabemos que serão liberados. Vamos destruir estas redes com todas as capacidades do governo americano”, afirmou.

Efeitos no Brasil

Em junho, os Estados Unidos incluíram o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) nessa classificação. O Brasil, porém, não participa da Coalizão Anticartéis das Américas. A iniciativa reúne 19 países, entre eles Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, Honduras e Peru.

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A Colômbia aderiu ao grupo nesta semana. O México, onde atuam alguns dos maiores cartéis da região, permanece fora da aliança. Hegseth afirmou que Washington trabalha inicialmente com parceiros como Equador e Colômbia para estruturar as novas operações.

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Marina Verenicz
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