Espanha se recusa a discutir soberania dos enclaves com Marrocos

Desde sua independência em 1956, Marrocos considera Ceuta e Melilla como territórios ocupados pela Espanha

Um militar em Ceuta, na Espanha, após cruzamentos em massa de migrantes a pé e por mar, vindos de Marrocos para o território espanhol, em 1º de agosto de 2026. REUTERS/Jon Nazca
Um militar em Ceuta, na Espanha, após cruzamentos em massa de migrantes a pé e por mar, vindos de Marrocos para o território espanhol, em 1º de agosto de 2026. REUTERS/Jon Nazca

Publicidade

O status dos ⁠enclaves norte-africanos de Ceuta e Melilla como territórios ⁠espanhóis não está em discussão, afirmaram autoridades espanholas nesta quarta-feira, depois ‌que o ministro da Justiça de Marrocos reiterou as reivindicações de soberania de Rabat sobre as cidades.

As declarações feitas na terça-feira por Abdellatif ‌Ouahbi à emissora Asharq TV marcaram a primeira vez que Rabat levantou publicamente a questão controversa desde a crise na fronteira de Ceuta no final de julho, durante a qual cerca de 72 mil imigrantes cruzaram brevemente para o enclave. Pelo menos 96 pessoas morreram na corrida em ⁠massa ‌pela fronteira.

Ouahbi afirmou que seu país sempre levantou a questão do ⁠status das cidades nas negociações com a Espanha, com o objetivo de longo prazo de alcançar uma solução por meio do diálogo.

Desde sua independência em 1956, Marrocos considera Ceuta e Melilla como territórios ocupados pela Espanha, argumentando que a soberania sobre elas deve, em ​última instância, ser transferida para Rabat. Madri as considera partes integrantes de seu território desde os Séculos 17 e 15, respectivamente.

“Ceuta e ​Melilla não são apenas espanholas; são super-espanholas e intocáveis”, afirmou a ministra da Defesa da Espanha, Margarita Robles, a repórteres em Ceuta, quando questionada sobre os comentários de Ouahbi.

“Qualquer ataque a Ceuta e Melilla é um ataque à Espanha como um todo. Isso nunca mais deve ‌acontecer”, acrescentou ela, referindo-se à crise na fronteira.

O ​governo espanhol elogiou amplamente as autoridades marroquinas por sua cooperação no repatriamento dos imigrantes, atribuindo a crise às máfias de contrabando de pessoas.

Em comunicado separado, o Ministério das Relações ⁠Exteriores da Espanha afirmou ​que a integridade territorial ​do país “não foi, nem jamais será, discutida com ninguém”.

Por outro lado, o Ministério do Interior ⁠de Marrocos informou nesta quarta-feira que ​reforçou a segurança nas proximidades das fronteiras com Ceuta e Melilla devido a chamadas online para uma nova tentativa de travessia em massa no dia 15 ​de agosto, alertando que processaria os organizadores e participantes.

Continua depois da publicidade

“O ministério apela a todos para que permaneçam vigilantes e responsáveis e não ​se deixem levar ⁠por tais apelos suspeitos e enganosos, dados os riscos que podem representar para a vida das ⁠pessoas”, afirmou em comunicado, instando também a Espanha a acelerar o retorno de menores marroquinos desacompanhados em Ceuta.

Na semana passada, a ministra da Juventude da Espanha, Sira Rego, disse que Madri avaliaria a oferta de Marrocos de repatriar as crianças caso a caso.