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A cidade de Dresden, no leste da Alemanha, viveu nesta quarta-feira (6) sua maior evacuação desde a Segunda Guerra Mundial. O motivo foi a descoberta de uma bomba britânica de 250 kg, não detonada, enterrada há quase 80 anos nas imediações da Carolabrücke — uma ponte estratégica no centro da cidade.
O artefato foi encontrado durante obras realizadas na terça-feira (5), e mobilizou imediatamente uma megaoperação de segurança. Aproximadamente 17 mil pessoas, entre moradores, trabalhadores e turistas, tiveram que evacuar a área em um raio de 1 km. A zona incluía regiões densamente povoadas e locais históricos de alta relevância.
Entre os prédios esvaziados estão símbolos da reconstrução pós-guerra de Dresden, como a Frauenkirche (Igreja de Nossa Senhora), a Semperoper (Ópera Semper) e o complexo palaciano Zwinger, que abriga importantes museus de arte. Escolas, creches, hospitais e lares de idosos também foram afetados.
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Logística de guerra em tempos de paz
Segundo a emissora pública Deutsche Welle, esta foi a maior operação do tipo em Dresden desde o fim da Segunda Guerra.
A prefeitura informou que 9 centros de educação infantil, 14 escolas e 4 lares de idosos foram esvaziados, além da interrupção parcial na estação central da cidade e de dezenas de linhas de ônibus, trens e bondes.
A bomba terá que ser desarmada no próprio local, uma operação que exige extremo cuidado. Especialistas alertam que, devido ao tempo em que permaneceu enterrado, o dispositivo apresenta riscos imprevisíveis — o detonador pode estar instável, e o processo de remoção deve seguir protocolos rígidos de segurança.
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As autoridades colocaram à disposição um telefone de emergência para informações à população. Equipes de desativação de explosivos da polícia e unidades médicas de prontidão foram destacadas.
Uma cidade marcada pelas bombas
Dresden foi uma das cidades mais duramente atingidas pelos bombardeios aliados no final da Segunda Guerra Mundial. Entre os dias 13 e 15 de fevereiro de 1945, a cidade foi arrasada por ataques aéreos das forças britânicas e americanas. Estima-se que mais de 25 mil pessoas tenham morrido apenas nesses três dias, com bairros inteiros reduzidos a cinzas.
Conhecida por sua arquitetura barroca e importância cultural, Dresden tornou-se um símbolo da devastação da guerra. Apesar da reconstrução cuidadosa nas décadas seguintes — que restaurou monumentos como a Frauenkirche, reerguida com pedras originais — o subsolo da cidade ainda guarda resquícios daquele período sombrio.
A descoberta desta quarta-feira não é um caso isolado. Só em 2023, foram registrados mais de 400 incidentes com explosivos antigos na Alemanha, segundo dados do Ministério do Interior. Bombas não detonadas ainda são encontradas regularmente em canteiros de obras, rios ou áreas urbanas, especialmente em cidades como Berlim, Colônia e Frankfurt.
Um alerta permanente
Apesar da passagem de oito décadas, especialistas alertam que a ameaça desses artefatos continua real. A deterioração dos materiais, aliada à instabilidade dos detonadores antigos, faz com que o processo de desativação exija preparação militar e evacuações em larga escala.
As autoridades reforçam que, mesmo em tempos de paz, a herança bélica impõe riscos concretos. A Alemanha já gastou bilhões de euros em operações de limpeza desde o fim da guerra, e estima-se que milhares de bombas ainda estejam enterradas em seu território.
