Democratas pressionam SEC por apuração sobre posts de Trump

A Trump Media ‌é controladora do Truth Social, a rede social criada por Trump

Reuters

Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, faz um pronunciamento à nação no Salão Leste da Casa Branca, em 16 de julho de 2026, em Washington, D.C. Trump deve discursar sobre segurança eleitoral. (Foto: Saul Loeb/Pool – Getty Images) Via Bloomberg
Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, faz um pronunciamento à nação no Salão Leste da Casa Branca, em 16 de julho de 2026, em Washington, D.C. Trump deve discursar sobre segurança eleitoral. (Foto: Saul Loeb/Pool – Getty Images) Via Bloomberg

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NOVA YORK, 29 Jul (Reuters) – Os senadores ⁠democratas Elizabeth Warren e Adam Schiff solicitaram à SEC, o ⁠órgão regulador do mercado de valores mobiliários dos EUA, que investigue se o plano ‌da Trump Media de vender acesso antecipado às publicações do presidente Donald Trump nas redes sociais viola a lei, de acordo com uma correspondência vista pela Reuters.

A Trump Media ‌é controladora do Truth Social, a rede social criada por Trump.

Neste mês, a Trump Media revelou um feed de dados pago e licenciado que dará às corretoras “o acesso mais rápido” às publicações das dez contas mais influentes do Truth Social, incluindo a de Trump.

A carta dos senadores, enviada na terça-feira, aumenta a pressão sobre o produto, bem como sobre quaisquer empresas de Wall ⁠Street ‌que possam ter adquirido o feed, potencialmente ampliando o que algumas fontes do setor consideram ⁠riscos legais, políticos e regulatórios.

“Isso parece ser um abuso escandaloso do cargo de presidente para seu benefício pessoal, que prejudica os investidores comuns e a integridade de nossos mercados, ao mesmo tempo em que enriquece Wall Street e outros participantes privilegiados e abastados”, afirmaram Warren e Schiff na carta dirigida ao presidente da SEC, Paul Atkins.

Um ​porta-voz da SEC e Atkins — um republicano defensor do livre mercado nomeado para o cargo por Trump, que geralmente tem adotado uma postura mais branda em relação à ​fiscalização — confirmaram o recebimento da carta, mas se recusaram a fazer mais comentários.

A Casa Branca encaminhou os pedidos de comentário à Trump Media, que não respondeu imediatamente.

ACESSO ANTECIPADO POR UM PREÇO

A Trump Media discutiu a cobrança de até US$100.000 por mês pelo produto Truth API, segundo reportagens da Reuters e de outros veículos de mídia.

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As publicações de Trump nas redes ‌sociais já movimentaram os mercados no passado, e os lucros ​de muitas das principais corretoras, fundos de hedge e empresas de serviços financeiros dependem fortemente da velocidade com que conseguem negociar com base nessas notícias.

Trump, que detém cerca de 41% da Trump Media por meio de um ⁠fundo fiduciário administrado por seus filhos, ​deve lucrar com o ​modelo de acesso pago. A empresa afirmou já ter conquistado clientes antes do lançamento em 1º de agosto, mas ⁠não revelou quem eles são.

A Truth API é o ​exemplo mais recente de como Trump mistura seus negócios pessoais com assuntos presidenciais, levantando questões éticas, afirmaram Warren e Schiff. Trump informou no mês passado, por exemplo, que recebeu mais de US$1,4 bilhão no ​ano passado com os projetos de criptomoedas de sua família.

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Embora as plataformas de tecnologia geralmente tenham permissão para oferecer aos clientes acesso antecipado aos dados, ​mesmo que isso prejudique alguns ⁠participantes do mercado, alguns especialistas em ética afirmaram que o produto Truth API é diferente porque as publicações de Trump ⁠são informações governamentais e ele tem a obrigação de divulgá-las publicamente.

Warren e Schiff também observaram que Trump já utilizou no passado o Truth Social para recomendar ações específicas, incluindo Citigroup, Intel e Palantir, o que, segundo eles, aumenta o risco de uso de informação privilegiada e de minar a confiança dos investidores de que o mercado opera em condições equitativas.