Coreia do Norte realiza teste de motor para mísseis de longo alcance

Kim Jong-un acompanha ensaio e reforça plano de ampliar capacidade nuclear

Marina Verenicz

Kim Jong Un supervisiona o teste em solo de um motor de combustível sólido de fibra de carbono de alta potência - Reprodução KCNA
Kim Jong Un supervisiona o teste em solo de um motor de combustível sólido de fibra de carbono de alta potência - Reprodução KCNA

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A Coreia do Norte realizou um novo teste de motor de combustível sólido de alta potência para armamentos estratégicos, em mais um movimento de modernização do seu arsenal militar. O ensaio foi acompanhado pelo líder Kim Jong-un, que classificou o avanço como relevante para fortalecer a capacidade de dissuasão do país, segundo a agência estatal Korean Central News Agency (KCNA).

Segundo a KCNA, o motor testado utiliza materiais compostos de fibra de carbono e apresentou empuxo máximo de 2.500 quilotoneladas, superior ao registrado em testes anteriores. O governo não informou o local nem a data exata do experimento.

O desenvolvimento faz parte de um plano de expansão militar de cinco anos que inclui o aprimoramento de “meios de ataque estratégico”, expressão normalmente associada a mísseis balísticos intercontinentais com capacidade nuclear.

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A Coreia do Norte já demonstrou, em testes recentes, capacidade potencial de atingir o território continental dos Estados Unidos. Os modelos mais novos, movidos a combustível sólido, são mais difíceis de detectar antes do lançamento, pois dispensam o tempo de abastecimento necessário nos mísseis de combustível líquido.

Apesar dos avanços, há divergências entre analistas sobre o estágio do programa. Parte dos especialistas aponta desafios técnicos, como a resistência das ogivas durante a reentrada na atmosfera. Outros consideram que o tempo de desenvolvimento já acumulado pode ter reduzido essas limitações.

O teste ocorre poucos dias após discurso de Kim no Parlamento, no qual reafirmou a intenção de consolidar o status nuclear do país e criticou a atuação dos Estados Unidos, que classificou como “terrorismo de Estado e agressão” global, em referência indireta à escalada no Oriente Médio.