Congresso boliviano aprova lei de estado de exceção após semanas de protestos

A lei não implica a declaração imediata de um estado de exceção, mas concede ao governo instrumentos legais ⁠para ‌ativá-lo

Reuters

Um homem vestindo uma bandeira boliviana tenta apagar um incêndio com areia durante um protesto contra o presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, em San Julián, Bolívia, em 6 de junho de 2026. REUTERS/Ipa Ibanez
Um homem vestindo uma bandeira boliviana tenta apagar um incêndio com areia durante um protesto contra o presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, em San Julián, Bolívia, em 6 de junho de 2026. REUTERS/Ipa Ibanez

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O Congresso boliviano ⁠aprovou neste domingo (7) a Lei de Regulamentação dos Estados ⁠de Exceção, uma iniciativa promovida pelo presidente Rodrigo Paz após mais de um ‌mês de protestos em que os manifestantes exigem sua renúncia, enquanto o país enfrenta uma crise política e social cada vez mais profunda.

A iniciativa, aprovada nas primeiras horas da ‌manhã pela Câmara dos Deputados, depois de ser aprovada pelo Senado, estabelece a estrutura legal para a aplicação de medidas extraordinárias em caso de conflitos internos, desastres naturais ou ameaças à segurança do Estado.

A lei, que agora será enviada ao Poder Executivo para promulgação, não implica a declaração imediata de um estado de exceção, mas concede ao governo instrumentos legais ⁠para ‌ativá-lo por meio de um decreto supremo, que deverá ser submetido ao Congresso, o qual terá ⁠72 horas para aprová-lo ou rejeitá-lo.

Um dos aspectos mais relevantes da lei é que ela regulamenta a participação das Forças Armadas em situações de comoção interna, permitindo sua intervenção para apoiar a Polícia Boliviana quando esta for superada, bem como para proteger a infraestrutura estratégica, garantir corredores humanitários e salvaguardar o fornecimento de bens ​básicos.

A medida foi tomada após a renúncia do ministro da Defesa, Marcelo Salinas, na terça-feira.

A Bolívia tem enfrentado semanas de bloqueios de estradas e protestos impulsionados por sindicatos ​e apoiadores do ex-presidente Evo Morales, que exigem a renúncia de Paz e a reversão das medidas de austeridade.

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A agitação levou à escassez de alimentos, combustível e suprimentos médicos em La Paz e El Alto, onde vivem cerca de 2 milhões de pessoas.

‘O descontentamento foi além da filiação partidária, já que os preços, a qualidade do ‌combustível, a política fundiária e as promessas de campanha não ​cumpridas continuam a alimentar os protestos’, disse Mariano Machado, da empresa de inteligência de risco Verisk Maplecroft.

O presidente está no poder há apenas sete meses, após quase duas décadas de governos do Movimento ao Socialismo (MAS), liderado ⁠por Morales, que governou a Bolívia ​entre 2006 e 2019.

De ​acordo com a lei boliviana, um presidente pode ser submetido a um referendo revogatório após dois anos e ⁠meio no cargo.

Por sua vez, os Estados Unidos ​reiteraram na quinta-feira (4 de junho) seu apoio ao governo de Paz, alertando contra tentativas de derrubar sua administração e prometendo manter os esforços para preservar a segurança regional.

‘Os Estados Unidos estão observando’, ​disseram o Departamento de Guerra dos Estados Unidos e a Coalizão Anticartel das Américas em uma declaração conjunta na rede social X.

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Morales apoiou o movimento de protesto, ​convocou eleições antecipadas e ⁠descreveu a agitação como uma resistência às políticas econômicas de Paz.

Em El Alto, os moradores disseram no início da semana ⁠que os alimentos estavam ficando escassos, pois a estrada principal continuava bloqueada.

‘Não há mais nada para comprar: nem vegetais, nem frango, nem carne, e o pouco que há se tornou muito caro’, disse Clemente Calle. ‘Se ele (o presidente Paz) quiser ir embora, que vá; é disso que precisamos’, acrescentou.

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