Com El Niño, mortes por calor podem chegar a 451 mil; no Brasil, serão 13,3 mil

Segundo relatório de laboratório do clima da Universidade de Chicago, no top 10 dos países mais afetados com mortes por calor, o Brasil ocupa a 5ª posição, atrás de Nigéria, Indonésia, Sudão e Índia

Publicidade

Cientistas projetam que as temperaturas globais da terra ficarão até 1,2°C acima do normal nos próximos meses, devido em grande parte ao atual “Super El Niño” que começou em junho e deve durar até fevereiro de 2027. Com isso, o Cimate Impact Lab da Universidade de Chicago projeta até 451 mil mortes em todo o mundo relacionadas ao calor na primeira metade deste El Niño – 239 mil mortes a mais que as estimadas para um ano normal, sem impactos do evento climático.

Para o Brasil, são esperadas 13,3 mil mortes nos seis meses entre setembro e fevereiro, 8 mil a mais que num ano normal.

No top 10 dos países mais afetados com mortes por calor no período, o Brasil ocupa a 5ª posição, atrás de Nigéria, Indonésia, Sudão e Índia.

Leia também: Super El Niño eleva riscos em um mundo com ciclo de água já errático, diz OMM

Como as previsões atuais sugerem que o El Niño permanecerá até a primavera de 2027 no Hemisfério Norte, o relatório do laboratório do clima diz esperar que os números cresçam ainda mais, particularmente porque impactos como temperaturas acima da média e mortes relacionadas ao calor persistirão até junho e julho do ano que vem.

Segundo a análise, as mortes por calor que ainda estão por vir este ano atingirão o Sul Global com mais força. Os países mais impactados em todo o Sahel africano devem registrar 66.800 mortes adicionais por calor de setembro a fevereiro em comparação com um ano normal, com quase metade dessas vidas perdidas na Nigéria (31.400).

Continua depois da publicidade

Em outras partes da região, o Sudão enfrentará 17.500 mortes adicionais por calor, Níger terá 10.000 mortes e o Chade 8.000. No Sudeste Asiático, o calor deve causar 19.400 mortes adicionais nas Filipinas, Vietnã, Tailândia e Camboja, e 19.300 mortes na Indonésia. Outras regiões altamente impactadas nos próximos seis meses incluem Índia (15.800) e Brasil (13.300).

Segundo o relatório, as projeções formam uma base uma base de evidências que permite intervenções de adaptação para salvar vidas e melhorar o bem-estar humano. Entre as soluções propostas para mitigar os efeitos estimados estão financiamento antecipado, sistemas de alerta precoce de calor e planos de ação contra o calor que permitam aos profissionais de saúde direcionar visitas domiciliares a populações vulneráveis.

Também é sugerida a expansão da disponibilidade de água, o monitoramento de sintomas relacionados ao calor e maior acesso a tecnologias de resfriamento.

Continua depois da publicidade