Arsenais nucleares voltam a crescer e risco global aumenta, alerta instituto

Relatório Anual do Sipri destaca movimentação de Estados na produção de novas armas nucleares

Caio César

Imagem de satélite mostra prédios destruídos no Centro de Tecnologia Nuclear de Isfahan, após ter sido atingido por ataques aéreos dos EUA, em Isfahan, Irã. Imagem divulgada em 22 de junho de 2025. (Foto: Blacksky/Handout via REUTERS)
Imagem de satélite mostra prédios destruídos no Centro de Tecnologia Nuclear de Isfahan, após ter sido atingido por ataques aéreos dos EUA, em Isfahan, Irã. Imagem divulgada em 22 de junho de 2025. (Foto: Blacksky/Handout via REUTERS)

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Um alerta emitido pelo Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo (Sipri), nesta segunda-feira (8), afirma que países com armas nucleares estão retirando seus armamentos dos depósitos e posicionando-os em sistemas de lançamento.

De acordo com o relatório de 2026 produzido pelo Sipri, todos os nove países com armas nucleares modernizaram e ampliaram seus arsenais em 2025. Atualmente, as potências nucleares somam um total estimado de 12.187 ogivas, das quais 9.745 ainda estão em reserva para uso potencial.

Confira a divisão por país:

Apesar de representar uma redução de 13 ogivas em relação a 2025, quando o número total era de 12.200, especialistas alertam que o valor inferior não é um sinal de desarmamento. Atualmente, os países desativam mais ogivas antigas do que colocam em operação novas, mas a tendência é que o número se inverta nos próximos anos.

Segundo estimativa do Sipri, a Coreia do Norte continua expandindo sua capacidade nuclear, e o país pode já ter produzido cerca de 60 ogivas, além de possuir material físsil suficiente para fabricar outras 30.

A China é outro país que está ampliando seu poderio nuclear. De acordo com o relatório, o país atualmente possui cerca de 620 ogivas nucleares, 20 a mais que no ano anterior. “Dependendo de como estruturar suas forças, a China poderá, até o fim da década, ter potencialmente tantos mísseis balísticos intercontinentais quanto a Rússia ou Estados Unidos”, destaca trecho do relatório.

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Apesar do aumento na produção por parte de outros países, os Estados Unidos e a Rússia ainda concentram a maior parte do arsenal mundial, representando 83% de todas as ogivas nucleares existentes.

O cenário de aumento da produção nuclear ocorre em um momento em que o mundo enfrenta o enfraquecimento de acordos de controle de armas e a intensificação de disputas geopolíticas envolvendo os Estados Unidos e a Rússia, incluindo conflitos como a atual guerra no Oriente Médio e a guerra na Ucrânia.