Aprovação de Trump cai a 37% após guerra do Irã, aponta NYT/Siena

Maioria dos americanos rejeita entrada dos EUA no conflito e independentes ampliam desgaste do republicano às vésperas das eleições legislativas

Marina Verenicz

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A decisão de Donald Trump de envolver os Estados Unidos no conflito contra o Irã passou a produzir efeitos políticos mensuráveis dentro do país. Pesquisa New York Times/Siena divulgada nesta segunda-feira (18) mostra que a aprovação do presidente caiu para 37%, o menor patamar desde o início de seu segundo mandato na Casa Branca.

O levantamento aponta que a rejeição à guerra atravessa parte importante do eleitorado americano e atinge principalmente independentes, grupo decisivo nas eleições legislativas de meio de mandato marcadas para novembro.

Segundo a pesquisa, quase dois terços dos entrevistados consideram que Trump errou ao entrar no conflito no Oriente Médio. Entre independentes, o índice sobe ainda mais. Quase três quartos avaliam que a decisão foi equivocada.

A percepção predominante entre os eleitores é de que os custos políticos, econômicos e militares da guerra não compensam. Menos de um quarto dos entrevistados afirmou acreditar que a ofensiva valeu o desgaste provocado.

O conflito também contaminou áreas tradicionalmente favoráveis ao republicano. A condução da economia, um dos principais ativos políticos de Trump desde a campanha, passou a registrar forte deterioração.

Segundo o levantamento, 64% desaprovam a gestão econômica do presidente. O cenário também piorou em temas ligados ao custo de vida e à política externa, incluindo a condução da guerra em Gaza e da escalada com Teerã.

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O desgaste aparece de forma mais intensa fora da base republicana. Entre independentes, 69% desaprovam atualmente o desempenho de Trump, acima dos 62% registrados em janeiro.

A sensação de impacto direto das políticas do presidente também cresceu. Hoje, 44% afirmam que foram prejudicados pessoalmente pelas decisões do governo, ante 36% no ano passado. Entre independentes, o percentual subiu de 41% no fim de 2025 para 47% agora.

Apesar da piora nos indicadores, Trump ainda preserva pilares importantes de sustentação política. O tema da imigração segue relativamente resistente ao desgaste e mantém aprovação de 41%.

Midterms

Os republicanos também chegam ao ciclo eleitoral com vantagem estrutural na disputa pela Câmara dos Representantes após o redesenho de distritos eleitorais em estados controlados pelo partido, movimento que ampliou a quantidade de cadeiras consideradas favoráveis aos conservadores.

A pesquisa aponta ainda dificuldades persistentes para os democratas converterem a insatisfação com Trump em entusiasmo eleitoral. Apenas 26% dos entrevistados disseram estar satisfeitos com o Partido Democrata.

O descontentamento interno também aparece elevado entre os próprios democratas: 44% afirmaram estar insatisfeitos com o partido. Entre republicanos, esse índice ficou em 23%.

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Mesmo assim, em um cenário hipotético para as eleições legislativas, os democratas aparecem numericamente à frente. Segundo o levantamento, 50% afirmam que votariam em um candidato democrata para o Congresso se a eleição fosse hoje, contra 39% que escolheriam um republicano.

Entre independentes, a vantagem democrata chega a 18 pontos percentuais.

A pesquisa também mediu apoio a novas ações militares contra o Irã. Mais da metade dos entrevistados, 52%, afirmou que Trump não deveria retomar ataques caso um acordo nuclear não seja alcançado.

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Outro ponto sensível envolve os limites do poder presidencial em decisões militares. Segundo o levantamento, 63% dos americanos, incluindo 27% dos republicanos, consideram que o presidente não deveria usar força militar sem autorização do Congresso.

Dentro da base trumpista, porém, o apoio à linha dura permanece elevado. Cerca de 70% dos republicanos defendem retomada das operações militares caso as negociações fracassem, enquanto 73% acreditam que a guerra pode eliminar o programa nuclear iraniano.