Ameaças tarifárias de Trump geram inquietação conforme líderes do G7 se reúnem

Ameaças tarifárias de Trump geram inquietação conforme líderes do G7 se reúnem na França

Reuters

(Foto: Christian Hartmann / Reuters)
(Foto: Christian Hartmann / Reuters)

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(Reuters) – Os líderes das nações do Grupo dos Sete começaram a chegar a ⁠um resort à beira de um lago na França nesta segunda-feira, com um sentimento de alívio após os ‌Estados Unidos terem chegado a um acordo preliminar para pôr fim ao conflito com o Irã, atenuado pela inquietação com novas ameaças de imposição de tarifas do presidente Donald Trump.

O acordo preliminar com o Irã e as medidas a serem ‌tomadas estarão entre as várias questões que os líderes debaterão durante a cúpula de 15 a 17 de junho em Evian-les-Bains.

Eles também buscarão um consenso sobre a guerra na Ucrânia, o combate aos desequilíbrios econômicos globais e o abastecimento de minerais essenciais fora da China, principal fornecedora.

Trump chega em um momento em que os líderes globais estão cada vez mais cautelosos em relação aos Estados Unidos, mesmo que as autoridades francesas tenham ficado satisfeitas por terem garantido sua presença depois que ele deixou a ⁠cúpula ‌do G7 do ano passado no Canadá mais cedo.

TRUMP AMEAÇA TARIFAS SOBRE VINHOS FRANCESES

Reforçando as tensões, Trump, em entrevista ao ⁠New York Post antes de partir para a cúpula, advertiu que “não teria escolha” a não ser aplicar tarifas de 100% sobre o vinho francês, a menos que Paris elimine seu imposto digital sobre gigantes da tecnologia dos EUA.

Em seguida, em uma postagem nas redes sociais pouco antes de chegar à cúpula, ele abordou um assunto que tem sido fonte constante de tensão com os aliados europeus de centro: a imigração.

“Infelizmente, se você importa pessoas de países ​do Terceiro Mundo, rapidamente se torna um país do Terceiro Mundo — e não há nada que você possa fazer a respeito”, escreveu ele.

As ameaças tarifárias de Trump, que surgiram antes de uma cúpula que serve como o ápice ​diplomático do segundo e último mandato de Emmanuel Macron, representam um golpe para o impopular presidente francês. Ele deixa o cargo no ano que vem.

Macron é cada vez mais visto como um pato manco no cenário interno, mas ainda tem influência no cenário global e conseguiu que Trump concordasse com um jantar luxuoso no Palácio de Versalhes na quarta-feira para marcar os 250 anos da independência dos EUA.

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Macron disse ao canal de televisão francês TF1 que a França não cederia às ‌ameaças tarifárias de Trump, acrescentando: “tarifas não fazem bem a ninguém, especialmente tarifas entre ​países do G7”.

TRUMP CONTINUA IMPREVISÍVEL

Os comentários de Trump sobre tarifas e imigração destacam por que ele é visto como um parceiro volátil pelos outros líderes do G7. Muitos deles foram diretamente afetados pelas decisões unilaterais de Trump que abalaram o Oriente Médio, o comércio global e a diplomacia, e ⁠provocaram uma reflexão mais profunda sobre o compromisso dos ​EUA com a ordem global ​do pós-guerra que o país ajudou a estabelece.

Durante a cúpula, Trump deve se reunir com líderes do Oriente Médio e participar de uma sessão de trabalho ⁠com o presidente ucraniano Volodymyr Zelenskiy.

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A reunião com Zelenskiy na terça-feira ​ocorre em um momento em que os avanços russos na Ucrânia diminuíram e a Ucrânia busca mais financiamento militar de seus aliados, mas também após uma enxurrada de ataques a Kiev.

“Este ataque apenas fortalece nossa determinação de fazer tudo, com nossos aliados e parceiros, para trabalhar ​em prol de um cessar-fogo que a Rússia teimosamente recusa, e depois pela paz. Trabalharemos nisso no G7”, disse Macron em uma postagem no X.

Zelenskiy disse nesta segunda-feira que havia se oferecido para se ​encontrar com o presidente da Rússia, ⁠Vladimir Putin, na cúpula do G7 para conversas com o objetivo de encerrar a guerra que já dura mais de quatro anos, mas que Putin não estava ⁠disposto a dialogar.

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A posição de Zelenskiy melhorou desde que Trump lhe disse, de forma memorável, no Salão Oval no ano passado: “Você não tem as cartas na mão.”

Mas ele pode achar difícil conseguir um apoio maior dos EUA, conforme Trump prioriza encerrar o conflito com o Irã, que prejudicou seu apoio interno.

Os líderes do G7 estarão ansiosos para conhecer os detalhes do acordo entre os EUA e o Irã. Está prevista a assinatura de um memorando de entendimento na sexta-feira na Suíça, mas os termos precisos ainda não estão ​claros.

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