Acidente na Índia marca o primeiro desastre com modelo “revolucionário” da Boeing

787-8 é a versão inicial da família Dreamliner, desenvolvida pela Boeing com o objetivo de transformar o transporte aéreo internacional

Agência O Globo

Aeronave Boeing 787 Dreamliner da Air India, com registro VT-ANB, sobrevoa Tóquio, Japão, em 27 de abril de 2025, nesta imagem obtida das redes sociais. Koki Takagi via REUTERS
Aeronave Boeing 787 Dreamliner da Air India, com registro VT-ANB, sobrevoa Tóquio, Japão, em 27 de abril de 2025, nesta imagem obtida das redes sociais. Koki Takagi via REUTERS

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O grave acidente com o voo AI171 da Air India, que caiu logo após decolar do aeroporto de Ahmedabad nesta quinta-feira (12), marca um ponto de inflexão na história do Boeing 787-8 Dreamliner.

Desde sua entrada em operação comercial, há mais de uma década, esta é a primeira vez que o modelo se vê envolvido em um desastre aéreo de grandes proporções, com múltiplas vítimas.

O 787-8 é a versão inicial da família Dreamliner, desenvolvida pela Boeing com o objetivo de revolucionar o transporte aéreo internacional.

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Combinando alcance intercontinental, maior eficiência no consumo de combustível e conforto aprimorado, o modelo é operado por dezenas de companhias aéreas ao redor do mundo, incluindo Air India, Latam, British Airways, ANA, United Airlines e Qatar Airways.

Alta tecnologia e eficiência

Desde seu lançamento comercial em 2011, o 787-8 conquistou o setor com uma série de inovações.

A fuselagem é feita majoritariamente de materiais compostos, como fibra de carbono, o que o torna mais leve e resistente. Isso permite um consumo de combustível até 20% menor do que aeronaves de porte semelhante da geração anterior.

O alcance do 787-8 também impressiona: são cerca de 13 mil quilômetros de autonomia, permitindo rotas diretas de longa distância, como São Paulo–Johannesburgo, Nova York–Tóquio ou Londres–Buenos Aires, sem escalas.

Ele pode transportar até 242 passageiros em duas classes (business e econômica) e é equipado com motores Rolls-Royce Trent 1000 ou General Electric GEnx, ambos projetados para reduzir ruído e emissões.

Conforto para o passageiro

Outro diferencial do Dreamliner está no conforto a bordo. A cabine tem maior pressurização interna (equivalente a uma altitude de 1.800 metros, contra os 2.400 metros dos jatos convencionais), janelas mais amplas com escurecimento eletrônico, um sistema de circulação de ar mais limpo e controle mais eficiente de umidade — tudo isso visando reduzir o cansaço em voos longos.

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As tecnologias embarcadas também auxiliam os pilotos: o cockpit do 787 é totalmente digital, com sistemas de controle fly-by-wire e automação avançada para gerenciamento de voo.