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O segundo ano da com nova gestão de Donald Trump nos Estados Unidos começa com o holofote da economia interna voltado para a acessibilidade financeira e com renovação da política de pressão comercial e ameaças de intervenção no flanco externo. Isso exige uma renovação constante por parte de gestores de recursos de identificação de riscos e oportunidades
A equipe da Janus Henderson vê consumidores empresas se beneficiando dos efeitos de legislações sobre cortes de impostos e desregulamentação, aprovadas no ano passado, embora reconheça a possibilidade de um cenário volátil no curto prazo, enquanto se espera algum impacto interno do tarifaço promovido em 2025.
No mercado acionário, há boas possibilidade para os setores de saúde e biotecnologia e volatilidade com segmentos de energia e serviços públicos.
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Veja abaixo opiniões dos gestores de portfólio da Janus Herderson Investors para o segundo ano do governo Trump.
Consumo interno
Os Estados Unidos celebrarão este ano 250 anos desde a sua fundação como país independente. Ainda há dúvidas se as festividades vão se traduzir em um crescimento econômico mais forte, mas há fatores que devem impulsionar a atividade econômica em 2026.
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Segundo Alex Veroude , chefe de renda fixa da Janus, consumidores e empresas se beneficiarão dos cortes de impostos implementados na Lei “One Big Beautiful Bill”. A desregulamentação tem o potencial de aliviar os entraves corporativos e incentivar fusões e aquisições, afirma. Isso somado ao fato de que a política monetária nos EUA provavelmente verá novos cortes nas taxas de juros.
Já do lado negativo, Verouse avalia que os impactos distorcidos nos dados após a paralisação do governo entre outubro e novembro do ano passado podem ser uma fonte de volatilidade no curto prazo, particularmente em relação ao emprego. “Além disso, embora possamos argumentar que já ultrapassamos o pico da volatilidade tarifária – a menos que a Suprema Corte as rejeite – ainda precisamos estar atentos a quaisquer efeitos secundários sobre a inflação”.
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Renda fixa
Para Daniel Siluk, diretor global de títulos de curta duração e liquidez, por sua vez, faz uma comparação entre as gestões Biden e Trump: “as iniciativas de expansão governamental da era Biden deram lugar à expansão fiscal da era Trump”, disse, destacando que, ao mesmo tempo, o Federal Reserve (Fed) busca reduzir o prazo de vencimento de seus títulos, eliminando um dos compradores marginais desse segmento de mercado.
“Os esforços para estimular o crescimento por meio de uma política fiscal agressiva, especialmente em meio à inflação já elevada, aumentaram as preocupações dos investidores sobre o potencial de pressão ascendente sobre os rendimentos soberanos e a dinâmica da curva de juros”, comenta.
Siluk sustenta que, embora ainda não tenha aparecido um aumento significativo na inclinação da curva, a combinação do aumento da oferta e da mudança na demanda justifica um monitoramento rigoroso,. “Acreditamos que o equilíbrio de riscos atualmente favorece os vencimentos de curto prazo na ponta inicial da curva.”
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Títulos lastreados em hipotecas
Nick Childs, diretor de Renda Fixa Estruturada e Quantitativa, e John Kerschner, diretor global de Produtos Securitizados, destacam em sua análise que o presidente Trump propôs diversas iniciativas com o objetivo de abordar a questão da acessibilidade à habitação.
A recente diretiva para que as entidades patrocinadas pelo governo (GSEs), Fannie Mae e Freddie Mac, comprem US$ 200 bilhões em títulos lastreados em hipotecas (MBS) visa reduzir as taxas de juros dos financiamentos imobiliários.
“As GSEs já vêm comprando MBS em um ritmo significativo desde meados de 2025, e esperávamos que as compras continuassem e que os bancos nacionais tivessem uma presença crescente. No entanto, acreditamos que o impacto nas taxas de juros dos financiamentos imobiliários será modesto porque, diferentemente do Fed, as GSEs normalmente não retiram duration do mercado; em vez disso, elas emitem títulos resgatáveis e/ou realizam operações de hedge, e essa exposição precisa ser suportada por outros participantes do mercado.”
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Os dois diretores dizem continuar otimistas em relação ao mercado imobiliário em geral e, em particular, ao crédito imobiliário. Embora o mercado imobiliário tenha desacelerado, ainda existe demanda. Se as taxas de juros caírem, e acreditamos que o Fed provavelmente fará pelo menos um ou dois cortes, isso será muito bom para a valorização dos imóveis.
Ações de Saúde e biotecnologia
Sean Carroll , gerente de Portfólio de Clientes, lembra que, durante a maior parte do ano passado, a incerteza política dominou o setor de saúde, levando a um período de baixo desempenho que resultou em algumas das menores relações preço/lucro relativas da história do setor. Mas ela alerta que, para 2026, alguns riscos regulatórios começaram a diminuir. “Os investidores, por exemplo, agora veem uma maneira de contornar as onerosas tarifas farmacêuticas e têm maior clareza sobre a reforma dos preços dos medicamentos.”
Além disso, a Food and Drug Administration (FDA) também demonstrou seu apoio a uma indústria biofarmacêutica forte nos EUA, tendo cumprido grande parte dos prazos de revisão em 2025 e introduzido novos programas para acelerar as aprovações de medicamentos. “Portanto, vemos um cenário favorável para que as ações do setor de saúde se destaquem em 2026.”
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Ações de energia e serviços públicos
Para Noah Barrett , analista de Pesquisa, a situação na Venezuela evidenciou a rapidez com que as mudanças geopolíticas podem se propagar pelos mercados de energia. Ele diz que, embora os impactos nos preços a curto prazo tenham sido moderados, a perspectiva a longo prazo depende da clareza das políticas, do investimento em infraestrutura e da maior confiança na estabilidade política.
“Para os investidores, esses eventos destacam o valor de uma abordagem de gestão ativa, disciplinada e preparada para lidar com a volatilidade, avaliar as exposições específicas de cada empresa e posicionar-se para aproveitar as oportunidades à medida que a situação evolui”, afirma.
Já no setor de serviços públicos, com as eleições de meio de mandato em 2026, as discussões sobre a acessibilidade das contas de energia para os consumidores continuarão sendo um tema importante, diz o analista, dado o grande volume de investimentos necessários para atender à demanda de energia prevista.
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“As concessionárias regulamentadas provavelmente estão sob maior pressão, visto que representam a face do setor, com um modelo de negócios baseado em investimentos de capital (Capex) para expandir a base de ativos regulamentados e obter um retorno regulamentado sobre esse investimento”, afirma.
Para ele, caso a acessibilidade das contas de energia para os consumidores se torne um tema politicamente delicado, poderemos ver discussões sobre menor crescimento permitido da base de ativos regulamentados ou redução dos retornos permitidos sobre o patrimônio líquido, ambos fatores negativos para as empresas de serviços públicos.
Industriais/Materiais
Na avaliação de David Chung , analista de Pesquisa, os desdobramentos e atualizações sobre tarifas, estabilidade geopolítica e confiança do consumidor e empresarial continuam sendo as principais áreas a serem observadas para uma possível recuperação de curto prazo no primeiro semestre de 2026.
“Novos pontos de atenção surgiram após a Venezuela e os potenciais impactos em outras nações, como a renegociação do USMCA (Acordo Estados Unidos-México-Canadá) que ocorrerá em meados do ano”, alerta.
“Dada a incerteza do cenário cíclico e a baixa visibilidade das variáveis macroeconômicas, os investidores podem se concentrar em empresas com fatores específicos de autossustentabilidade, lideradas por equipes de gestão fortes, capazes de gerar um crescimento sólido do lucro mesmo em tempos incertos.”
Finanças
Como parte de sua iniciativa para o início de 2026 para abordar as questões de acessibilidade, Trump propôs um limite de 10% nas taxas de juros dos cartões de crédito por um ano, cita John Jordan, gestor de portfólio e analista de Pesquisa
Para ele, embora essa mudança tenha sérias implicações para os lucros do setor, é improvável que seja implementada em sua forma atual. O motivo é que a implementação dessa medida exigiria autorização legal do Congresso, e as primeiras reações sugerem pouco apoio.
“Se implementada, a indústria teria que se reestruturar e restringir significativamente o crédito aos consumidores, razão pela qual propostas semelhantes não foram aprovadas pelas comissões legislativas no passado. Reduzir o limite para 11% ou 12% – ou mesmo 20% – significaria que os clientes de maior risco enfrentariam uma realidade econômica substancialmente diferente, incluindo menor (ou nenhum) acesso a crédito e taxas mais altas.”
Ações fora dos EUA
Na opinião de Julian McManus, gestor de Portfólio na Janus, “a mudança nas placas tectônicas geopolíticas acelerou recentemente”, primeiro com a captura de Nicolás Maduro e, mais recentemente, com a retórica estridente de Donald Trump em torno da aquisição da Groenlândia. Ele destaca que as interpretações variam de “isso é apenas a Arte da Negociação” a “isso ecoa a expansão territorial agressiva do passado”.
“A realidade situa-se algum ponto entre esses dois extremos, mas é justo dizer que a revitalização da Doutrina Monroe está impulsionando a economia global cada vez mais para uma estrutura bipolar – com a China controlando o polo oposto.
“Vemos oportunidades em áreas mais óbvias, como a defesa, mas também em setores menos óbvios, como os bancos — a localização das cadeias de suprimentos é inerentemente inflacionária e requer capital. Ao mesmo tempo, a abordagem da China para uma economia de comando e controle tem maior probabilidade de gerar campeões nacionais.”
Por fim, uma das maiores desconexões para os investidores, em sua opinião, é a discrepância entre as avaliações das empresas de tecnologia ocidentais. “É compreensível que os investidores atribuam um prêmio de risco geopolítico a Taiwan, mas não aplicar a mesma lógica a grande parte das ‘Sete Magníficas’ nos parece uma falha na eficiência dos mercados e uma dádiva para os investidores globais que conseguem enxergar todo o conjunto de oportunidades.”