Tem dinheiro em bets? Veja perguntas e respostas sobre a MP que proíbe apostas online

Entenda quando as plataformas sairão do ar, como ficará a devolução dos saldos, as punições previstas e os impactos para apostadores, empresas e clubes

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O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta sexta-feira (25) uma medida provisória (MP) que determina o fim das apostas online no país. A decisão afeta casas de apostas esportivas, cassinos virtuais, publicidade do setor, clubes de futebol e milhões de apostadores.

Tire suas dúvidas sobre o que muda com a nova regra:

O que o governo anunciou?

O governo publicou uma medida provisória que proíbe a operação de bets e cassinos online no Brasil. A MP estabelece um cronograma de transição para o encerramento das atividades das empresas autorizadas.

Quando as bets deixarão de funcionar?

O depósito nas bets fica proibido a partir da publicação da MP. As apostas online e os cassinos virtuais estarão proibidos de continuar no ar a partir de 6 de outubro. Da data em diante, as plataformas não poderão mais operar legalmente no país.

Até quando será possível sacar dinheiro das contas?

Os apostadores terão até as 23h59 de 5 de outubro para retirar os recursos mantidos nas plataformas de apostas.

O que acontecerá com os sites e aplicativos?

Depois do prazo para saques, os sites e aplicativos das casas de apostas deverão ser retirados do ar.

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E quem não conseguir sacar o saldo até a data limite?

Entre os dias 7 e 8 de outubro, as empresas terão de informar ao governo os valores remanescentes vinculados a cada CPF. Depois disso, entre 9 e 14 de outubro, as bets deverão devolver integralmente os recursos aos usuários que não conseguiram realizar o saque anteriormente.

Nos casos em que houver dificuldades para a restituição dos valores, a Caixa Econômica Federal ficará responsável por intermediar a devolução dos recursos aos apostadores a partir de 14 de outubro.

A publicidade das bets também acaba?

Sim. A contratação de novas campanhas publicitárias fica proibida imediatamente após a publicação da medida. Anúncios já contratados poderão continuar sendo exibidos até 5 de outubro.

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Como o governo pretende fiscalizar a proibição?

O governo promete reforçar a remoção de sites ilegais, ampliar o monitoramento das movimentações financeiras e criar uma força-tarefa para compartilhar informações entre órgãos públicos.

Também serão proibidas transferências bancárias para CNPJs ligados a apostas online. Contas usadas para operações ilegais poderão ser bloqueadas.

O que acontecerá com os recursos apreendidos?

Segundo o governo, os valores bloqueados em operações consideradas ilegais poderão ser destinados a investimentos em segurança pública.

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A exploração de bets poderá virar crime?

Sim. Além da MP, o governo pretende enviar ao Congresso um projeto de lei para criminalizar a exploração das apostas de quota fixa.

Quais penas estão previstas?

Pela proposta em elaboração, quem explorar, operar, oferecer, registrar, intermediar ou administrar plataformas de apostas poderá ser condenado a penas de quatro a seis anos de prisão, além de multa.

Nos casos envolvendo cassinos virtuais, como o chamado “jogo do tigrinho”, a pena poderá ser aumentada em um terço.

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Influenciadores e anunciantes também poderão ser punidos?

Sim. O projeto prevê penas de dois a quatro anos de prisão para quem fizer publicidade, promoção ou marketing de apostas, além de quem captar clientes ou monetizar esse tipo de conteúdo.

A exceção vale para conteúdos jornalísticos, educativos, científicos, acadêmicos ou críticos.

Empresas de tecnologia e instituições financeiras poderão ser responsabilizadas?

Pela proposta, sim. Desenvolvedores de aplicativos, processadores de pagamento, instituições financeiras e outras empresas que facilitem operações de apostas poderão ser alvo de punições caso atuem conscientemente em favor da atividade.

As bets vão à Justiça?

Representantes do setor já indicaram que pretendem recorrer à Justiça. As empresas alegam insegurança jurídica, argumentando que investiram bilhões de reais após obter autorização do próprio governo para operar no país.

Além da devolução das licenças, o mercado avalia pedir ressarcimento por investimentos realizados em tecnologia, marketing, contratação de funcionários e acordos comerciais.

O futebol será impactado?

Muito provavelmente. As casas de apostas se tornaram uma das principais fontes de patrocínio dos clubes brasileiros e mantêm contratos com equipes, campeonatos e empresas de mídia.

Companhias do setor já haviam alertado para a possibilidade de rescisão dos acordos caso a atividade fosse proibida. O governo estuda formas de mitigar os impactos sobre o esporte, incluindo linhas de financiamento e medidas de apoio aos clubes.