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Contratar seguro de vida já não significa apenas garantir indenização aos beneficiários. Hoje, algumas modalidades também oferecem formação de reserva financeira e possibilidade de ajustes ao longo do contrato.
O seguro de vida tradicional segue como o mais popular no Brasil, mas a modalidade resgatável avança e o Vida Universal está em fase de regulação, prestes a se tornar mais uma opção no planejamento financeiro do brasileiro.
Na prática, especialistas afirmam que não existe um produto melhor de forma absoluta. A escolha depende, basicamente, de três fatores relevantes:
- orçamento
- fase da vida
- objetivo de quem contrata
“Não existe o melhor produto, existe o produto certo para o perfil, momento e objetivo do cliente”, salienta Rogério Araújo, diretor do CVG-SP (Clube Vida em Grupo de São Paulo).
Leia mais: Seguro deve ser visto como proteção financeira, não como gasto, dizem especialistas
Veja a seguir as diferenças e semelhanças de cada modalidade, segundo os especialistas consultados pelo InfoMoney.
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Seguro de vida tradicional
O seguro de vida tradicional é considerado a modalidade mais simples. O segurado paga o prêmio (valor que o cliente paga para contratar o seguro) para transferir o risco à seguradora e garantir indenização (valores pagos) aos beneficiários, sem formação de reserva financeira.
Vale lembrar que, no seguro de vida, o segurado é a pessoa física titular do contrato, cuja existência é protegida pela apólice (contrato de seguro), ou seja, caso ocorra um sinistro coberto (como morte, invalidez ou doença grave), a indenização é paga ao próprio segurado ou aos beneficiários por ele indicados.
Por isso, costuma ter custo inicial menor do que as demais modalidades e pode ser uma porta de entrada para famílias que buscam proteção imediata.
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“É como emitir um cheque nominal para a família, guardá-lo em um cofre e, quando não estivermos mais presentes, esse cheque será utilizado, com liquidez imediata, isenção de imposto de renda e proteção contra dívidas.”
Segundo Sonia Marra, consultora em seguros e finanças e presidente do CVG-RJ, esta modalidade é uma ferramenta que garante proteção de renda, planejamento sucessório e permite ser adaptado a diferentes momentos da vida.
“É possível encontrar opções acessíveis e adaptáveis a diferentes necessidades. O valor depende do perfil do segurado, como idade, profissão, estilo de vida, do capital segurado e das coberturas escolhidas”, explica Marra.
Leia também: 9 mitos e verdades sobre o seguro de vida: o que você precisa saber
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Seguro resgatável
No seguro de vida resgatável, parte do valor pago pelo cliente vai para a proteção (cobertura securitária) e parte para a formação de uma reserva financeira.
“Ou seja, o cliente está segurado e, ao mesmo tempo, construindo um valor que pode ser resgatado no futuro”, diz Araújo.
Ao resgatar a reserva, a cobertura securitária é cancelada.
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Segundo Araújo, na prática, é como se o cliente tivesse dentro do seguro uma proteção ajustável ao longo do tempo e uma conta financeira que acompanha a evolução da sua reserva. Para Marra, o modelo oferece mais previsibilidade de custo.
“O seguro resgatável inicia com valor maior do que o tradicional, trazendo mais previsibilidade porque não ocorrerá aumento por faixa etária, apenas reajuste anual pelo IPCA [Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo].”
Leia mais: Seguro de vida resgatável: como funciona e para quem compensa?
Seguro de Vida Universal
O seguro de vida universal é um produto híbrido. Na prática, os valores pagos pelo segurado, são direcionados a um fundo que pode gerar rentabilidade de acordo com as opções previstas no produto e as escolhas do cliente, ou seja, esses valores formam uma reserva financeira.
Uma outra parte desse saldo é utilizada para custeio das coberturas de risco, como morte, invalidez ou doenças graves.
Outra flexibilidade importante é que se o segurado não pagar a apólice (contrato de seguro), a inadimplência em si não cancela o produto contratato pela característica de flexibilidade — a cobertura permanece, e as mensalidades vão sendo compensadas a partir da reserva acumulada.
Diferentemente do resgatável, o vida universal é mais flexível. O segurado pode alterar o valor das contribuições, ajustar coberturas e utilizar o saldo acumulado para manter o seguro ativo em momentos de dificuldade financeira.
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Outra diferença importante está no uso da reserva. No modelo resgatável, o acúmulo funciona como um benefício adicional, acessado no fim do contrato ou em situações específicas. No vida universal, a reserva pode ser usada ao longo da vigência, tanto para cobrir pagamentos quanto para resgates parciais, o que amplia a liquidez do produto.
“Enquanto o resgatável é um produto pré-definido, com prazos e percentuais estipulados, o universal tende a ser ajustável ao longo da vida”, pontua Araújo, do CVG-SP.
Essa modalidade, porém, ainda não pode ser comercializada no Brasil. A regulamentação está em andamento na Susep (Superintendência de Seguros Privados), órgão vinculado ao Ministério da Fazenda que regula e fiscaliza o setor, e no CNSP (Conselho Nacional de Seguros Privados), também vinculado à pasta, que é responsável por definir as normas, diretrizes e políticas para o mercado segurador no país.
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Em 2024, o tema estava em fase de discussão interna, com previsão de consulta pública e elaboração de normas. À época, o principal desafio era criar um arcabouço regulatório e definir o tratamento tributário.
De lá para cá, houve avanços. Em outubro de 2025, o CNSP publicou uma resolução que estabelece diretrizes gerais para o produto e define sua natureza como seguro e não como instrumento de investimento.
Segundo a superintendência, o próximo passo é a edição de uma norma complementar que detalhará regras operacionais, prevista para 2026. Essa etapa também deve passar por consulta pública.
Ainda assim, um ponto central permanece em aberto: a tributação. A definição depende da Receita Federal do Brasil e é considerada essencial para viabilizar a oferta do produto no mercado.
Leia mais: Imposto de Renda: veja quando declarar seguro de vida e como evitar erros
Quais são as vantagens e desvantagens de cada um?
Seguro Tradicional
Vantagens:
- Maior proteção com menor custo;
- Simples de entender;
- Muito eficiente para proteção de renda e da família.
Desvantagens:
- Reenquadramento etário, podendo tornar o custo elevado no futuro.
Seguro Resgatável
Vantagens:
- Previsibilidade de custo (taxa nivelada/fixa);
- Possibilidade de quitação antecipada da apólice;
- Formação de reserva para imprevistos;
- Combina proteção com planejamento (inclusive sucessório).
Desvantagens:
- Custo mais elevado em comparação ao tradicional;
- Menor cobertura para o mesmo valor investido;
- Baixa flexibilidade após contratação;
- Rentabilidade conservadora da reserva em relação a produtos de investimentos.
Seguro de Vida Universal
Vantagens:
- Alta flexibilidade (ajustes de cobertura, aportes e saques);
- Transparência na gestão da reserva;
- Integra proteção com planejamento financeiro;
- Acompanha o ciclo de vida do cliente.
Desvantagens:
- Maior complexidade, exigindo orientação profissional;
- Possíveis custos administrativos e fiscais relevantes;
- Depende da disciplina do cliente;
- Pode ser mal utilizado sem acompanhamento adequado.
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Para quem cada modelo é mais indicado
Segundo Marra, do CVG-RJ, todos os tipos de seguros de vida são relevantes para um bom planejamento financeiro. O importante é entender as diferenças entre eles para escolher o mais adequado.
De acordo com Rodrigo Cunha, gerente de Produtos e Inteligência de Mercado da MAG Seguros, o seguro de vida tradicional se conecta a perfis que buscam proteção objetiva com maior previsibilidade de custos, como jovens em início de carreira ou famílias que desejam garantir segurança financeira.
Já o seguro resgatável, diz, é mais aderente a clientes que buscam o planejamento financeiro de médio e longo prazo, conciliando proteção com construção de reserva financeira.
“Ele é especialmente relevante para aquelas pessoas que já superaram a fase inicial de construção de patrimônio e buscam soluções mais amplas”
Sobre o Vida Universal, Cunha diz que é uma solução adequada para quem busca integrar proteção, acumulação e planejamento sucessório em uma única solução, “com a
liberdade de ajustar coberturas e contribuições conforme os diferentes momentos da vida”.
Para Araújo, o seguro de vida tradicional é mais acessível à realidade brasileira, oferecendo alta cobertura com baixo custo, enquanto o resgatável exige maior capacidade financeira e funciona melhor como instrumento de formação patrimonial, planejamento sucessório e previsibilidade.
“O vida universal é mais adequado para clientes com maior renda, visão de planejamento de longo prazo, foco em sucessão e estratégia patrimonial. Tende a ter maior aderência em nichos de alta renda”, diz.
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