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SÃO PAULO – Os consumidores colheram bons frutos em 2010 com a melhora da economia brasileira. O aumento da empregabilidade gerou uma alta da renda média, que, por sua vez, possibilitou uma expansão substancial nas concessões de crédito. Quem era da baixa renda passou a pertencer à classe média. E o resultado imediato desse cenário foi o aumento expressivo no consumo.
Para quem não estava habituado a lidar com alguma sobra no orçamento, a desorganização nas finanças parecia inevitável. E o endividamento começou a fazer parte da vida financeira de muitos brasileiros. Com esse cenário, ferramentas que auxiliam na organização das finanças são mais que necessárias. E os bancos começaram a perceber essa necessidade e que ajudar os clientes a ficar no azul é mais vantajoso do que mantê-los endividados.
Para além das planilhas de planejamento financeiro e dicas para se ter um orçamento saudável, as ferramentas oferecidas pelos bancos para auxiliar seus clientes a não passarem dos limites têm a internet como plataforma principal. A tecnologia é aliada principal das instituições financeiras na implantação de ferramentas desse tipo.
A implantação obrigatória da API (Análise do Perfil do Investidor) nas instituições financeiras foi um dos primeiros passos no sentido de auxiliar os correntistas. Projeto criado pela Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiros e de Capitais), a análise, feita por meio de um questionário, tem por objetivo principal ajudar os futuros investidores a conhecerem seu perfil de investimento. Contudo, a ferramenta passa aos poucos a ter um objetivo complementar. “Quando tratamos da questão do investimento, não é possível desvincular o orçamento”, afirma o diretor-executivo de Produtos de Investimento do Itaú Unibanco, Osvaldo Nascimento.
O Itaú tem como um dos projetos para 2011 ampliar a API de forma que a ferramenta inicie um trabalho de planejamento financeiro do cliente, antes mesmo de ele começar a investir. A ideia é que o instrumento seja capaz de fazer um mapeamento de todas as despesas do cliente e do patrimônio que ele tem, seja financeiro ou não financeiro. “Percebemos que, para o planejamento financeiro, é preciso realizar esse levantamento”, afirma Nascimento.
Em prol de um orçamento saudável
Hoje, as ferramentas on-line do Itaú Unibanco já permitem que o cliente veja os gastos que teve com o cartão de crédito, por exemplo, bem como classificam esses gastos por categoria de consumo. “No internet banking, o cliente não vê apenas as despesas, existe um campo no qual ele escreve os motivos daquele gasto, de tal maneira que, ao final do mês, ele avalie por categoria onde ele está gastando seu dinheiro”, explica Nascimento. Essa classificação também é possível fazer nos casos de transferência.
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Outros bancos também disponibilizam ferramentas para auxiliar seus clientes a manterem o orçamento em dia. No Santander, o Portal Sustentabilidade disponibiliza jogos para que os clientes passem a ter uma melhor percepção da importância de ter uma vida financeira saudável. “Com a inclusão digital em ritmo acelerado e o poder de consumo cada vez maior da população, esse tipo de canal digital e interativo ganha espaço e valor”, afirmou, por meio de nota, o gerente executivo de Desenvolvimento Sustentável do banco, Sandro Marques.
A orientação financeira ainda inclui as orientações básicas sobre planejamento financeiro, mas em forma de vídeo, e guias de consumo consciente do dinheiro e do crédito. A instituição também utiliza as redes sociais como forma de auxiliar os clientes a ficarem no azul. Especialistas do banco estão disponíveis para responder dúvidas sobre planejamento no Facebook e no Form Spring.
E, claro, a tradicional planilha de planejamento está disponível para download. “O consumo consciente é essencial para o desenvolvimento sustentável. Isso passa por organizar as finanças pessoais e aprender a fazer uso sustentável do crédito e do dinheiro para realizar planos e sonhos, sem comprometer as contas no médio e longo prazo”, disse Marques.
Clientes do HSBC Advance têm à disposição um especialista para desenvolver o seu planejamento financeiro. Antes disso, dá para saber como anda a saúde do seu bolso por meio de uma avaliação disponível no internet banking da instituição. O HSBC também disponibiliza a esses clientes uma Pesquisa de Valores – que tem como objetivo descobrir o que impulsiona as decisões financeiras dos clientes.
O Bradesco, por sua vez, possui uma série de softwares de gerenciamento financeiro. Os programas, disponibilizados para download no site do banco, ajudam na organização das finanças pessoais, auxiliam no acompanhamento dos gastos, na tomada de decisões e no planejamento do futuro. Por meio deles, é possível importar dados dos extratos de conta-corrente, poupança, cartão de crédito, conta investimentos e ações.
Com as informações consolidadas, os clientes podem fazer projeções de despesas para o ano todo, controlar o orçamento para eventuais projetos, realocar pagamentos e recebimentos, conciliar lançamentos bancários, simular investimentos, além de organizar os compromissos a pagar e controlar contas.
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Clientes do Banco do Brasil também dispõem de um gerenciador financeiro. “Com ele, o cliente pode acompanhar diariamente suas receitas e despesas em conta-corrente e ainda gastos com o cartão de crédito, podendo classificar os lançamentos, fazer gráficos e relatórios e planejar o orçamento”, afirmou a instituição, por meio de sua assessoria de imprensa. Já a Caixa Econômica Federal não possui ferramentas de controle financeiro para os seus clientes para além das dicas e planilhas de praxe. A instituição está desenvolvendo um portal para essa finalidade, que ainda não tem previsão para entrar no ar.
O papel dos bancos
O desenvolvimento de ferramentas que ajudam os brasileiros bancarizados reflete uma preocupação das instituições financeiras com a saúde do bolso dos seus clientes. “O banco de certa forma tem seu papel de fazer com que o cidadão tenha uma vida de qualidade”, afirma Nascimento, do Itaú Unibanco. “O banco tem essa responsabilidade financeira”, completa.
Essa responsabilidade, porém, vai além dos bancos. A BM&FBovespa também quer investidores com as contas equilibradas. Para isso, ela possui ferramentas básicas, como as planilhas para quem quer começar a se replanejar.
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“É importante que as pessoas façam um planejamento de suas dívidas para o ano, assim saberão de quanto dinheiro precisam para se manter. Uma planilha de orçamento é uma boa opção para quem quer começar e não sabe como se organizar”, afirmou, por meio de nota, o professor de educação financeira da BM&FBovespa, José Alberto Netto Filho.
Além da planilha, a instituição oferece cursos on-line, vídeos e informações para uma vida financeira “no azul”. Com tanta tecnologia e ferramentas em mãos, fica mais simples manter as contas em dia. O difícil mesmo vai ser escolher qual delas começar a usar.