Quando a criança é a “chefe” da família: como administrar o dinheiro?

Ela tem um talento natural, ganhou fama e muito dinheiro; como os pais devem agir em situações como esta?

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SÃO PAULO – Depois da atuação em Esqueceram de Mim (1990), quando tinha apenas 10 anos, Macaulay Culkin viu a carreira deslanchar. Participou de filmes como Meu Primeiro Amor (1991) e o Anjo Malvado (1993). Seu nome começou a se espalhar pelos quatro cantos do planeta. Mas, por trás da fama, estava uma história de discussões, brigas e muito dinheiro. O ator começou a perder seu brilho a partir de 1994, enquanto seus pais brigavam por sua fortuna.

Casos como este acontecem com talentos-mirins, que começam a ganhar dinheiro cedo, mas veem a fortuna ir embora com a imaturidade dos pais em lidar com a situação. E o caso piora, de acordo com o especialista em educação financeira Álvaro Modernell, dependendo do grau que a família possui de planejamento financeiro, da forma como o dinheiro chega e da idade da criança.

Uma família com uma noção menor de investimentos, por exemplo, pode cair em armadilhas e colocar tudo a perder. A forma como o dinheiro vem e vai pode resultar em dívidas e mais dívidas para a família. Em relação à criança, quanto maior a idade, mais questionamentos quanto à gestão do dinheiro e… Mais vontade de gastar.

O que fazer

Para o especialista em educação financeira, em uma situação como esta, está claro que o dinheiro é da criança, que deve passar por auxílio pedagógico e psicológico, devido à mudança de vida causada pelo dinheiro. Porém, são os pais os responsáveis por administrá-lo. Obviamente que a família vai pegar parte do dinheiro para melhorar o padrão de vida, mas isso deve ser feito com cuidado.

“Os pais têm de dar conta que a situação pode ser passageira. São poucas as crianças que mantêm a fama por muito tempo. Então, não pode contrair dívidas pensando que vão continuar ganhando dinheiro o resto da vida. Senão, eles voltam a um patamar financeiro pior do que o originário”.

Como esse tipo de situação pode ser passageira, as famílias têm de ser bastante agressivas em relação à poupança. Pelo menos metade do dinheiro deve ser guardada em poupança, planos de previdência privada, imóveis e outros, que são aplicações mais conservadoras.

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Outra parte do dinheiro, por sua vez, deve ser reinvestida na criança, para que o sucesso, que tende a ser passageiro, tenha sustentação técnica para durar mais tempo.

Alerta

Um alerta aos pais é que não se rendam aos gastos fáceis e ao excesso de benevolência, principalmente em relação a novos amigos que possam surgir nesse período.

Afaste-se também de investimentos mais arriscados, que, embora tenham desempenho favorável no longo prazo, podem causar surpresas de uma hora para a outra. “Se o sucesso se preservar, aí sim buscar uma diversificação nesse sentido”.

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Outra questão a que os pais devem se atentar são os pedidos dos filhos. Tidos como “chefes da família”, por trazer a maior parte da renda para a casa, eles podem querer gastar a todo o momento. Neste caso, a dica de Modernell é que os pais, quando tiverem, deem o dinheiro, desde que isso não comprometa o futuro financeiro da criança.

“O dinheiro é da criança, mas a decisão de gasto é dos pais. Ela tem de ter acesso ao dinheiro, mas com limites. Se quer comprar e tem condições, pode, desde que parte do dinheiro seja investido para o futuro dela”.